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Início Justiça

Julgamento da Meta pode mudar o futuro do Facebook e do Instagram

Por Junior Melo
17/ago/2026
Em Justiça
Foto: REUTERS/Daniel Cole

Foto: REUTERS/Daniel Cole

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A Meta, dona do Facebook e do Instagram, enfrenta uma nova batalha nos tribunais dos Estados Unidos que pode provocar mudanças profundas no funcionamento de suas principais redes sociais.

O julgamento está previsto para começar na terça-feira (18) e é resultado de um processo aberto em 2023 por 30 Estados americanos, incluindo Califórnia e Nova York. As autoridades acusam a empresa de cometer diversas violações das leis federais e estaduais relacionadas à privacidade e à proteção de crianças e adolescentes.

O caso é considerado uma das maiores ameaças judiciais já enfrentadas pela Meta por causa da maneira como suas plataformas são utilizadas pelo público jovem.

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Além de buscar uma indenização que pode ultrapassar US$ 1 trilhão, os Estados querem obrigar a empresa a modificar recursos considerados centrais na experiência de uso do Instagram e do Facebook.

O que os Estados querem mudar

Entre as medidas solicitadas está a implementação de um sistema de verificação parental para usuários adolescentes. A proposta busca aumentar o controle dos responsáveis sobre a utilização das plataformas por crianças e jovens.

As autoridades também querem mudanças nos algoritmos responsáveis pelas recomendações de conteúdo. Segundo os Estados, esses sistemas são desenvolvidos para estimular a liberação de dopamina e manter os usuários conectados por mais tempo.

Outro ponto envolve os filtros de imagem que alteram a aparência das pessoas nas fotografias. Os Estados defendem a retirada de diversos desses recursos, especialmente diante dos possíveis impactos sobre a forma como adolescentes enxergam a própria aparência.

A ação também pede o fim da reprodução automática de vídeos, a proibição da criação de múltiplas contas e mudanças nas publicações que desaparecem após determinado período, como os Stories do Instagram.

Recursos criados para manter usuários conectados

Para os Estados americanos, funcionalidades como rolagem infinita, recomendações personalizadas, reprodução automática e notificações frequentes não são apenas ferramentas de conveniência.

A acusação sustenta que esses recursos fazem parte de uma estratégia para manter crianças e adolescentes nas plataformas pelo maior tempo possível e estimular retornos frequentes aos aplicativos.

As autoridades afirmam ainda que a Meta teria criado mecanismos que dificultam a redução do tempo de uso das redes sociais. Entre eles estão notificações projetadas para incentivar os usuários a voltar aos aplicativos e continuar consumindo conteúdo.

Possível impacto sobre Facebook e Instagram

Uma eventual derrota da Meta poderia obrigar a companhia a reformular alguns dos elementos que atualmente fazem parte da experiência cotidiana de milhões de usuários.

Medidas como o fim da rolagem infinita, a alteração dos algoritmos de recomendação e a interrupção da reprodução automática poderiam modificar significativamente a maneira como o conteúdo é apresentado no Instagram e no Facebook.

A disputa também pode estabelecer um precedente para outras plataformas de redes sociais, especialmente em relação à responsabilidade das empresas sobre os efeitos de seus produtos em crianças e adolescentes.

O processo ocorre depois de uma série de derrotas e decisões judiciais desfavoráveis à Meta relacionadas à maneira como suas plataformas afetam usuários jovens.

Por isso, o julgamento pode se tornar um marco na discussão sobre os limites das redes sociais e sobre até que ponto empresas de tecnologia podem utilizar mecanismos de engajamento para manter crianças e adolescentes conectados.

Se os Estados conseguirem impor as mudanças solicitadas, o resultado poderá ultrapassar o impacto financeiro sobre a Meta e alterar de forma significativa a maneira como jovens interagem com as redes sociais nos Estados Unidos.

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