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Início Economia

Casas Bahia despenca na Bolsa e entra em recuperação judicial

Por Junior Melo
17/ago/2026
Em Economia
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As ações do Grupo Casas Bahia (BHIA3) protagonizam uma das maiores desvalorizações da Bolsa brasileira dos últimos anos. Depois de alcançarem valores superiores a R$ 400 no auge da companhia, em 2020, os papéis passaram a ser negociados por centavos, refletindo a grave crise financeira enfrentada pela varejista.

Na sexta-feira (14), último pregão antes do anúncio do pedido de recuperação judicial, as ações fecharam cotadas a R$ 0,66. No pico histórico, em 2020, o valor ajustado do papel chegou a aproximadamente R$ 489,08.

Nesta segunda-feira (17), por volta das 13h41, os papéis eram negociados a R$ 0,49, uma queda de 25,76%. Desde o pico histórico, a desvalorização chega a 99,86%.

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Na prática, quem investiu nas ações no período de maior valorização da companhia viu praticamente todo o valor aplicado desaparecer ao longo dos anos.

O que levou à queda das ações

A forte desvalorização acompanhou a deterioração dos resultados financeiros da empresa e um cenário cada vez mais difícil para o varejo brasileiro.

Na petição de recuperação judicial, a Casas Bahia atribui a crise a uma combinação de fatores. Entre eles estão o aumento dos investimentos em tecnologia e logística para disputar espaço no comércio eletrônico, os impactos da pandemia sobre as lojas físicas, a forte alta dos juros a partir de 2021, o aumento do custo das dívidas, a redução do consumo das famílias e o crescimento da inadimplência.

Segundo a companhia, a elevação dos juros teve impacto especialmente forte sobre seu modelo de negócios, que depende de financiamento tanto para a manutenção dos estoques quanto para a oferta de crédito aos consumidores.

Com o encarecimento do dinheiro, uma parcela cada vez maior dos recursos gerados pela operação passou a ser direcionada ao pagamento de despesas financeiras, reduzindo a capacidade da empresa de investir e fortalecer seu caixa.

Reestruturação não conseguiu reverter a crise

Em 2023, a Casas Bahia iniciou um amplo plano de transformação com o objetivo de reduzir custos e recuperar a saúde financeira. Entre as medidas adotadas estavam o fechamento de 55 lojas, a redução de aproximadamente 8.600 postos de trabalho, o corte de investimentos e a diminuição dos estoques.

Em 2024, a companhia também renegociou parte de suas dívidas por meio de uma recuperação extrajudicial, medida que, na época, foi considerada bem-sucedida pela própria empresa.

Apesar das iniciativas, a situação financeira continuou pressionada. No pedido de recuperação judicial, a companhia informou que aprofundou o processo de reestruturação em agosto de 2026, com a demissão de cerca de 3 mil funcionários e o fechamento de quase 300 lojas.

Atualmente, o grupo afirma empregar mais de 20 mil pessoas.

Ações passaram a ser negociadas como “penny stock”

Com a cotação abaixo de R$ 1, as ações da Casas Bahia passaram a integrar o grupo de papéis conhecidos no mercado como “penny stocks”.

O termo é utilizado para designar ações negociadas por valores muito baixos, geralmente inferiores a R$ 1. Esses papéis podem apresentar forte volatilidade e, em alguns casos, estar associados a empresas que enfrentam dificuldades financeiras. O preço reduzido, porém, não significa necessariamente que uma ação esteja barata.

Desde o pedido de recuperação extrajudicial, em abril de 2024, os papéis da Casas Bahia acumulam queda de 87,9%. Naquele momento, as ações eram negociadas a R$ 7,30.

A companhia chegou à Bolsa em dezembro de 2013, ainda sob o nome de Via Varejo. A oferta pública inicial movimentou cerca de R$ 2,8 bilhões.

Ao longo dos anos, a empresa passou a se chamar Via S.A. e, posteriormente, Grupo Casas Bahia, adotando o ticker BHIA3.

Treze anos após sua estreia no mercado de capitais, a empresa entrou com pedido de recuperação judicial para renegociar aproximadamente R$ 17,3 bilhões em dívidas e reorganizar sua estrutura financeira.

Recuperação judicial envolve R$ 17,3 bilhões em dívidas

O Grupo Casas Bahia anunciou na noite de domingo (16) que protocolou um pedido de recuperação judicial na Justiça de São Paulo. A medida envolve a companhia e outras nove empresas do grupo.

O objetivo é reorganizar as finanças, renegociar aproximadamente R$ 17,3 bilhões em dívidas e garantir a continuidade das operações.

O pedido foi apresentado no Foro Central Cível de São Paulo, especializado em falências e recuperações judiciais, e ainda precisa ser ratificado pelos acionistas em Assembleia Geral Extraordinária.

A companhia afirma que a combinação de juros elevados, crédito mais restrito e queda no consumo prejudicou sua capacidade de geração de caixa.

Nos últimos 18 meses, a Casas Bahia também tentou captar recursos por diferentes caminhos. A empresa negociou com investidores no Brasil, nos Estados Unidos e na Europa e chegou a avaliar uma possível oferta de ações. No entanto, a operação considerada mais estratégica não avançou após a desistência do investidor âncora.

Outras alternativas, como empréstimos-ponte, também não foram concretizadas.

Prejuízo de R$ 10,1 bilhões no segundo trimestre

No domingo (16), a companhia também divulgou os resultados do segundo trimestre de 2026. A Casas Bahia registrou prejuízo contábil de R$ 10,1 bilhões no período.

Desse total, R$ 9,1 bilhões correspondem a ajustes contábeis que, segundo a empresa, não representam impacto imediato no caixa.

Apesar do prejuízo bilionário, alguns indicadores operacionais apresentaram melhora. A receita líquida cresceu 1,6%, chegando a R$ 6,98 bilhões. As vendas online avançaram 15,3%, para R$ 2,8 bilhões.

A companhia também anunciou mudanças em sua estrutura administrativa. O vice-presidente Jurídico e Tributário, Fábio Spina, deixou o cargo e será substituído por Sírley Lima. Também foram anunciadas as saídas de Jackson Schneider e Rogério Calderón do Conselho de Administração. Calderón, porém, continuará à frente de comitês internos da companhia.

O pedido de recuperação judicial representa mais uma etapa na tentativa de reorganizar o Grupo Casas Bahia. Para os acionistas, o processo ocorre após anos de forte deterioração do valor de mercado da empresa, que transformou uma ação que chegou a valer cerca de R$ 489 em um papel negociado abaixo de R$ 1.

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