A prisão do presidente da Confederação Nacional de Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais (Conafer), Carlos Roberto Ferreira Lopes, na manhã desta quarta-feira (12), aumenta a preocupação entre integrantes do Centrão diante das possíveis consequências das investigações sobre as fraudes no INSS.
Segundo fontes que acompanham o caso e foram ouvidas pela CNN, a entrega de Lopes às autoridades foi negociada nos últimos dias por meio de seus advogados. Há expectativa de que o presidente da entidade possa firmar um acordo de colaboração premiada, o que poderia levar as investigações a atingir nomes ligados ao Centrão.
A Conafer é apontada como uma entidade que mantém relações com deputados e senadores do grupo político que passaram a ter papel relevante nas apurações envolvendo as fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
Durante o terceiro governo de Luiz Inácio Lula da Silva, André Fidelis, então diretor de Benefícios do INSS até julho de 2024, teria atuado como um elo entre a entidade e políticos ligados ao grupo.
Fidelis deixou o cargo após reportagens do portal Metrópoles revelarem suspeitas relacionadas a descontos fraudulentos aplicados sobre os pagamentos de aposentados e pensionistas.
Como diretor de Benefícios, Fidelis era responsável pela assinatura de parcerias entre o INSS, associações e sindicatos que ofereciam serviços aos aposentados. Por meio desses acordos, eram realizados descontos diretamente nos benefícios dos segurados.
A expansão dessas parcerias contribuiu para o aumento expressivo do número de filiados e do faturamento da Conafer. Diante do crescimento dos descontos, o INSS firmou um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com a entidade, estabelecendo a necessidade de revalidação dos descontos realizados nos benefícios dos aposentados.
