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El Niño tem mais de 90% de chance de ficar muito forte entre outubro e dezembro, ENTENDA

Por Junior Melo
13/ago/2026
Em Brasil
Imagem de 3 de agosto de 2026, feita com dados do satélite Sentinel-6 Michael Freilich, mostra mudanças no nível do Oceano Pacífico associadas ao El Niño. — Foto: Sentinel-6 Michael Freilich/NASA/NOAA

Imagem de 3 de agosto de 2026, feita com dados do satélite Sentinel-6 Michael Freilich, mostra mudanças no nível do Oceano Pacífico associadas ao El Niño. — Foto: Sentinel-6 Michael Freilich/NASA/NOAA

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A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA, na sigla em inglês) aumentou nesta quinta-feira (13) a previsão de intensidade do El Niño que deve ocorrer neste ano. Segundo a nova atualização, há 90% de probabilidade de o fenômeno alcançar intensidade muito forte nos próximos meses.

No boletim anterior, divulgado em 9 de julho, a agência estimava em 81% a possibilidade de um El Niño muito forte entre outubro e dezembro.

A NOAA também aponta que, considerando as atuais projeções para as temperaturas do oceano, existe 69% de chance de o episódio estar entre os mais intensos registrados desde 1950.

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A nova estimativa ocorre enquanto as águas do Pacífico Equatorial continuam apresentando aumento de temperatura. O índice de temperatura subsuperficial da região equatorial também avançou ao longo de julho, indicando o fortalecimento das condições associadas ao fenômeno.

🌊 Entenda: O El Niño e a La Niña representam duas fases do mesmo fenômeno climático, conhecido como ENOS (El Niño-Oscilação Sul). O El Niño ocorre quando as águas do Oceano Pacífico equatorial apresentam aquecimento igual ou superior a 0,5°C em relação à média.

O fenômeno costuma ocorrer em intervalos de dois a sete anos, tem duração média de cerca de 12 meses e também contribui para o aumento das temperaturas globais. A La Niña, por outro lado, é marcada pelo resfriamento dessas águas e produz efeitos climáticos geralmente opostos (entenda mais abaixo).

Quando a NOAA publicou o boletim anterior, em julho, a temperatura semanal da região conhecida como Niño 3.4, uma das principais áreas utilizadas para acompanhar o desenvolvimento do El Niño, apresentava anomalia de +1,2°C.

Na atualização das condições oceânicas divulgada em 10 de agosto, o índice havia subido para +1,8°C. Isso significa que, em aproximadamente um mês, a temperatura naquela área passou de 1,2°C para 1,8°C acima da média.

O patamar de +1,8°C já é considerado pela Climatempo compatível com um El Niño forte. No boletim mensal anterior, porém, a NOAA classificava o episódio como um fenômeno em processo de fortalecimento, sem atribuir oficialmente a ele a categoria de forte.

A intensidade do El Niño nos próximos meses dependerá não apenas do aquecimento do Pacífico Equatorial, mas também da resposta da atmosfera. Para que o fenômeno se intensifique, é necessário que oceano e atmosfera atuem de maneira integrada e persistente.

No Brasil, os efeitos variam de acordo com a região e o período do ano. A previsão atual indica que o pico do fenômeno deverá ocorrer entre novembro e janeiro. Historicamente, o El Niño está associado ao aumento das chuvas no Sul do país, o que pode elevar a possibilidade de temporais e enchentes.

No Norte e em parte do Nordeste, a tendência costuma ser de redução das precipitações, o que pode intensificar períodos de seca. Já no Sudeste e no Centro-Oeste, os efeitos são menos uniformes e podem incluir períodos mais quentes, chuvas mal distribuídas e alterações na atuação das frentes frias.

El Niño em um planeta mais quente

Desde 2006, diferentes episódios de El Niño têm ocorrido em um contexto de aumento das temperaturas médias do planeta. Mesmo eventos classificados como fracos ou moderados podem contribuir para a ocorrência de extremos climáticos, como secas, enchentes e ondas de calor.

Entre os episódios registrados nas últimas décadas estão:

  • 2006–2007: El Niño fraco a moderado.
  • 2009–2010: El Niño moderado.
  • 2014–2016: El Niño muito forte, associado a recordes de temperatura e maior frequência de eventos extremos.
  • 2018–2019: El Niño fraco a moderado, com duração mais curta e impactos mais limitados.
  • 2023–2024: El Niño forte, considerado um dos episódios mais intensos já registrados e relacionado a novos recordes de calor.

🌎 O que é o El Niño e por que o fenômeno é importante

O El Niño consiste no aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico na região próxima à linha do Equador.

O fenômeno integra um ciclo natural do sistema climático, que alterna períodos de El Niño, La Niña e condições neutras. Essas mudanças alteram a circulação atmosférica e podem modificar os padrões de temperatura e precipitação em diferentes partes do mundo.

No Brasil, os impactos não são iguais em todas as regiões. Enquanto o Sul normalmente registra maior volume de chuva, áreas do Norte e do Nordeste podem enfrentar condições mais secas.

O fenômeno também interfere na temperatura média global. Durante episódios mais intensos de El Niño, o planeta tende a registrar temperaturas acima da média, em um cenário que se soma ao aquecimento provocado pelas mudanças climáticas.

A intensidade e os efeitos variam de um episódio para outro. Com as temperaturas globais atualmente mais elevadas, porém, mesmo eventos considerados moderados podem produzir impactos mais significativos.

🌧️ Possíveis efeitos no Brasil

Historicamente, o El Niño pode modificar os padrões de chuva e temperatura no território brasileiro, provocando:

  • aumento das chuvas no Sul, com maior risco de eventos extremos;
  • redução das precipitações no Norte e em parte do Nordeste;
  • maior irregularidade das chuvas no Sudeste e no Centro-Oeste;
  • aumento da ocorrência de ondas de calor.

Especialistas também apontam para a possibilidade de períodos prolongados de temperaturas elevadas, principalmente durante a primavera e o verão.

Apesar da alternância entre La Niña, neutralidade e El Niño, pesquisadores destacam que o aquecimento global continua sendo o principal fator associado à tendência de aumento das temperaturas.

Com os oceanos apresentando temperaturas acima das médias históricas, a expectativa é de que os próximos meses continuem marcados por calor elevado em diferentes regiões do planeta.

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