O secretário de Guerra dos Estados Unidos, Pete Hegseth, pediu nesta quarta-feira (12) que países da América Latina deixem o Tribunal Penal Internacional (TPI). Durante um discurso no Panamá, o chefe do Pentágono acusou a corte de ameaçar a soberania dos países e de tentar retirar dos governos e tribunais nacionais a autoridade para julgar seus próprios cidadãos.
A declaração ocorreu durante um encontro da Coalizão das Américas Contra Cartéis (ACCC, na sigla em inglês), iniciativa que reúne países da região para ampliar a cooperação no combate ao crime organizado.
“Encorajo fortemente cada membro da ACCC a sair do TPI e rejeitar suas tentativas de retirar de seus governos e tribunais a soberania”, afirmou Hegseth.
A coalizão reúne países latino-americanos com governos alinhados ao presidente Donald Trump, entre eles Argentina, El Salvador e Paraguai.
Hegseth critica atuação do tribunal
Durante o discurso, Hegseth defendeu que os países mantenham autonomia para mobilizar suas Forças Armadas e proteger suas populações de acordo com as próprias leis e constituições.
“Nossas nações mantêm sua soberania e sua capacidade de mobilizar seus próprios combatentes em defesa própria. Respondemos apenas aos nossos cidadãos e às nossas constituições, não a burocratas internacionais não eleitos”, declarou.
O secretário também acusou o TPI de tentar exercer jurisdição sobre militares e operações dos Estados Unidos e de países aliados. Para Hegseth, a atuação da corte representa uma “apropriação ilegal de poder”.
A posição reforça a resistência do governo Trump ao tribunal, especialmente em processos que envolvam autoridades e militares norte-americanos ou de países aliados de Washington.
Combate ao crime organizado
O discurso ocorreu em meio aos esforços dos países integrantes da ACCC para ampliar a cooperação contra organizações criminosas e cartéis que atuam na região.
Hegseth adotou um tom duro ao apresentar o que chamou de novo lema da coalizão: “Fazemos coisas ruins com pessoas ruins”.
“Estamos lidando com pessoas ruins que fizeram muitas coisas ruins a muitas, muitas pessoas boas por um tempo muito longo. E elas estão prestes a conhecer um novo xerife na cidade: a ACCC”, afirmou.
A iniciativa pretende fortalecer a cooperação entre os países participantes em ações de segurança e combate ao tráfico de drogas e ao crime organizado.
Governo Trump endurece posição contra o TPI
Desde o início do governo Donald Trump, os Estados Unidos vêm intensificando as críticas ao Tribunal Penal Internacional e adotando medidas para limitar sua atuação contra cidadãos norte-americanos e autoridades de países aliados.
Os Estados Unidos não são signatários do Estatuto de Roma, tratado que criou o TPI, e historicamente contestam a possibilidade de o tribunal exercer jurisdição sobre cidadãos norte-americanos.
A declaração de Hegseth no Panamá amplia esse posicionamento ao incentivar que países latino-americanos também abandonem a corte, colocando a questão da soberania nacional no centro do debate sobre cooperação internacional em segurança e combate ao crime.