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Início Mundo

Secretário de Trump pede que países da América Latina deixem Tribunal Penal Internacional

Por Junior Melo
12/ago/2026
Em Mundo
Secretário de Estado dos EUA, Pete Hegseth - Foto: Chip Somodevilla/Getty Images via AFP

Secretário de Estado dos EUA, Pete Hegseth - Foto: Chip Somodevilla/Getty Images via AFP

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O secretário de Guerra dos Estados Unidos, Pete Hegseth, pediu nesta quarta-feira (12) que países da América Latina deixem o Tribunal Penal Internacional (TPI). Durante um discurso no Panamá, o chefe do Pentágono acusou a corte de ameaçar a soberania dos países e de tentar retirar dos governos e tribunais nacionais a autoridade para julgar seus próprios cidadãos.

A declaração ocorreu durante um encontro da Coalizão das Américas Contra Cartéis (ACCC, na sigla em inglês), iniciativa que reúne países da região para ampliar a cooperação no combate ao crime organizado.

“Encorajo fortemente cada membro da ACCC a sair do TPI e rejeitar suas tentativas de retirar de seus governos e tribunais a soberania”, afirmou Hegseth.

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A coalizão reúne países latino-americanos com governos alinhados ao presidente Donald Trump, entre eles Argentina, El Salvador e Paraguai.

Hegseth critica atuação do tribunal

Durante o discurso, Hegseth defendeu que os países mantenham autonomia para mobilizar suas Forças Armadas e proteger suas populações de acordo com as próprias leis e constituições.

“Nossas nações mantêm sua soberania e sua capacidade de mobilizar seus próprios combatentes em defesa própria. Respondemos apenas aos nossos cidadãos e às nossas constituições, não a burocratas internacionais não eleitos”, declarou.

O secretário também acusou o TPI de tentar exercer jurisdição sobre militares e operações dos Estados Unidos e de países aliados. Para Hegseth, a atuação da corte representa uma “apropriação ilegal de poder”.

A posição reforça a resistência do governo Trump ao tribunal, especialmente em processos que envolvam autoridades e militares norte-americanos ou de países aliados de Washington.

Combate ao crime organizado

O discurso ocorreu em meio aos esforços dos países integrantes da ACCC para ampliar a cooperação contra organizações criminosas e cartéis que atuam na região.

Hegseth adotou um tom duro ao apresentar o que chamou de novo lema da coalizão: “Fazemos coisas ruins com pessoas ruins”.

“Estamos lidando com pessoas ruins que fizeram muitas coisas ruins a muitas, muitas pessoas boas por um tempo muito longo. E elas estão prestes a conhecer um novo xerife na cidade: a ACCC”, afirmou.

A iniciativa pretende fortalecer a cooperação entre os países participantes em ações de segurança e combate ao tráfico de drogas e ao crime organizado.

Governo Trump endurece posição contra o TPI

Desde o início do governo Donald Trump, os Estados Unidos vêm intensificando as críticas ao Tribunal Penal Internacional e adotando medidas para limitar sua atuação contra cidadãos norte-americanos e autoridades de países aliados.

Os Estados Unidos não são signatários do Estatuto de Roma, tratado que criou o TPI, e historicamente contestam a possibilidade de o tribunal exercer jurisdição sobre cidadãos norte-americanos.

A declaração de Hegseth no Panamá amplia esse posicionamento ao incentivar que países latino-americanos também abandonem a corte, colocando a questão da soberania nacional no centro do debate sobre cooperação internacional em segurança e combate ao crime.

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