O governo da Espanha exigiu nesta sexta-feira (7) que a Itália suspenda, até domingo (9), os controles de fronteira adotados para viajantes vindos do território espanhol. Caso a medida italiana seja mantida, Madri afirmou que poderá adotar contramedidas.
A decisão da Itália foi tomada após a entrada em massa de dezenas de milhares de migrantes no enclave espanhol de Ceuta, localizado no norte da África, na semana passada.
Em comunicado, o governo espanhol classificou a restrição italiana como “injusta, discriminatória e contrária aos interesses da União Europeia”. Segundo Madri, nenhum dos imigrantes que chegaram de forma irregular a Ceuta conseguiu entrar livremente no espaço Schengen, seguindo as regras de controle migratório aplicadas no território.
O espaço Schengen é uma área de livre circulação entre países europeus que permite que mais de 450 milhões de pessoas viagem entre os países integrantes sem a necessidade de passar por controles de fronteira internos.
Itália rejeita pressão espanhola
O governo italiano respondeu nesta sexta-feira que não aceitará “ultimatos ou imposições” da Espanha e informou que os controles de fronteira permanecerão em vigor, pelo menos, até 15 de agosto.
Segundo Roma, a medida só será revista quando houver garantias de que não existem riscos relacionados à segurança, terrorismo, novas ondas migratórias ou deslocamento de imigrantes irregulares em direção ao território europeu.
Os controles temporários nas fronteiras com a Espanha foram implementados pela Itália em 31 de julho de 2026, após o aumento expressivo da chegada de migrantes a Ceuta.
A disputa amplia as tensões entre dois países membros da União Europeia em torno da política migratória e da aplicação das regras de circulação dentro do bloco.