A poucos dias das eleições brasileiras, uma empresa dos Estados Unidos abriu uma vaga para um instrutor de português brasileiro destinado a um programa de treinamento voltado a militares e profissionais do governo americano.
Segundo informações publicadas pela CBN, a oportunidade foi divulgada pela Ascensus Global, Inc., empresa especializada em treinamento de idiomas e cultura. O anúncio busca um profissional com experiência no ensino de português para militares e/ou profissionais do governo, além de atuação em interpretação e tradução entre português e inglês.
Segundo a descrição da vaga, o programa terá duração de três semanas, entre outubro e novembro de 2026. Uma das semanas será realizada de forma virtual, enquanto as outras duas ocorrerão presencialmente em Montgomery, no Alabama. As despesas de viagem serão cobertas para o profissional selecionado.
Entre as atribuições estão a preparação de materiais didáticos, realização de pesquisas, integração de atividades de interpretação, aulas de português sobre temas determinados e atividades voltadas ao desenvolvimento do idioma.
A vaga também indica como requisito desejável familiaridade com ambientes militares dos Estados Unidos.
A Ascensus Global afirma que sua divisão de soluções governamentais oferece suporte nas áreas de linguística, análise e treinamento para missões nos Estados Unidos e no exterior.
Abin alerta sobre pressão dos EUA
A divulgação da oportunidade ocorre em meio a um relatório reservado da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) que elevou para “nível de criticidade” a possibilidade de influência e interferência dos Estados Unidos nas eleições brasileiras de 2026.
O documento, enviado no fim de agosto à Presidência da República, ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e ao Ministério da Justiça, aponta uma “tendência de escalada de pressão sobre o Brasil” e uma intensificação das ações dos Estados Unidos. A existência e o conteúdo do relatório foram divulgados pela colunista Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo.
Segundo a Abin, o governo do presidente Donald Trump busca reduzir a influência de potências rivais dos Estados Unidos na América Latina e restringir o acesso delas a ativos estratégicos, riquezas naturais e infraestruturas da região.
O relatório também cita medidas adotadas pelos Estados Unidos contra brasileiros e empresas sediadas no Brasil e avalia que a atuação americana ocorre de forma gradual, combinada e adaptativa.
O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, é mencionado no documento. Segundo a avaliação atribuída à Abin, sua atuação seria parte de uma estratégia de influência sobre a política externa dos países latino-americanos.
Lula diz que tratará do tema com Trump
Até o momento, não houve posicionamento oficial do governo brasileiro sobre o relatório da Abin. No entanto, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que pretende conversar com Donald Trump durante a Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York, e pedir que os Estados Unidos não interfiram nas eleições brasileiras.
O relatório da Abin não afirma que exista uma interferência comprovada por meio da contratação do professor de português. A vaga da Ascensus Global e o documento da agência são fatos distintos que ocorreram no mesmo contexto temporal.
