O fundador da fintech Revolut, Nik Storonsky, é alvo de uma ação judicial de 17,5 milhões de euros movida pela corretora de iates de luxo Cecil Wright & Partners. A empresa alega que o bilionário concluiu a compra de um superiate de cerca de 350 milhões de euros sem intermediação da corretora, evitando o pagamento da comissão prevista. A embarcação já pertenceu ao banqueiro brasileiro Daniel Vorcaro.
O processo foi apresentado na Alta Corte de Londres e questiona a negociação realizada em janeiro deste ano. Segundo os documentos judiciais, o iate foi inicialmente encomendado pelo empresário canadense Patrick Dovigi, depois vendido a Daniel Vorcaro e, após a prisão do banqueiro brasileiro em novembro de 2025, recomprado por Dovigi antes de ser negociado com Storonsky.
Daniel Vorcaro foi preso durante as investigações sobre uma suposta fraude de R$ 12,2 bilhões envolvendo o Banco Master, instituição que entrou em colapso no ano passado. O banqueiro nega as acusações e, de acordo com sua defesa, tem colaborado com as autoridades responsáveis pela apuração.
Corretora afirma que foi responsável pela negociação
Conforme consta na ação, um consultor do family office de Nik Storonsky procurou a Cecil Wright & Partners em outubro de 2024 para obter auxílio na construção de um iate.
Meses depois, em 2025, o representante voltou a consultar a empresa sobre a possibilidade de adquirir uma embarcação pronta enquanto o novo projeto era desenvolvido.
A corretora afirma que foi nesse momento que apresentou ao empresário o superiate de 102 metros, construído pelo estaleiro alemão Lürssen.
Segundo informações publicadas pela revista especializada Robb Report, a embarcação conta com piscina de borda infinita com fundo de vidro, clube de praia, academia e câmara de crioterapia, entre outros itens de luxo.
Empresa cobra comissão de 5%
Ainda segundo o processo, em janeiro de 2026 o consultor de Storonsky informou ao fundador da corretora, Chris Cecil-Wright, que a compra havia sido concluída diretamente com Patrick Dovigi, sem a participação da empresa.
A Cecil Wright & Partners sustenta que foi a “causa efetiva” da negociação e, por isso, reivindica o pagamento de uma comissão equivalente a 5% do valor da venda, totalizando 17,5 milhões de euros.
Em nota, um porta-voz do family office de Nik Storonsky afirmou que a ação judicial “não tem fundamento e será contestada”.
Corretora atua em negociações de superiates
A Cecil Wright & Partners é reconhecida no mercado internacional por atuar na negociação e construção de algumas das embarcações mais luxuosas do mundo.
Entre os projetos acompanhados pela empresa estão o Madame Gu, de 99 metros, construído para o empresário russo Andrei Skoch, e o Tango, iate apreendido pelas autoridades da Espanha por pertencer ao empresário russo-israelense Viktor Vekselberg.
Ao comentar o caso, o fundador da empresa, Chris Cecil-Wright, afirmou que situações desse tipo são incomuns no setor.
“É muito raro corretores se verem nessa situação, e esta é a primeira vez que isso acontece comigo. Mas tenho convicções firmes a respeito e, por isso, estou tomando medidas legais”, declarou.
