Integrantes da base do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) avaliam que as investigações envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, podem representar um desgaste político maior para a campanha do presidente do que o caso envolvendo o ex-chefe de gabinete Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola.
Segundo aliados do governo, a explicação apresentada por Marcola sobre o recebimento de R$ 249 mil da empresária Roberta Luchsinger pode reduzir os impactos do episódio. Já as apurações relacionadas a Lulinha ainda possuem questões em aberto, o que aumenta a preocupação entre integrantes do Palácio do Planalto.
Embora reconheçam que Marcola é um dos auxiliares mais próximos de Lula — ele ocupou a chefia de gabinete da Presidência entre janeiro de 2023 e julho deste ano, quando passou a atuar na campanha eleitoral — governistas entendem que o fato de Lulinha ser filho do presidente amplia a repercussão do caso perante a opinião pública.
Outro fator considerado sensível é a relação apontada pelas investigações entre Lulinha e Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS. A Polícia Federal identifica o empresário como um dos principais operadores do esquema de descontos irregulares em aposentadorias e pensões. Ele está preso desde setembro de 2025.
Lulinha é alvo de três investigações
Atualmente, Fábio Luís Lula da Silva responde a três inquéritos autorizados pelo Supremo Tribunal Federal (STF), todos relacionados à suspeita de tráfico de influência.
Os dois primeiros procedimentos, sob relatoria do ministro André Mendonça, investigam uma suposta atuação de Lulinha para intermediar interesses junto ao Ministério da Saúde, em negociações envolvendo a comercialização de cannabis medicinal, e também na Dataprev, em um caso que envolve um empresário do setor de tecnologia, o Careca do INSS e a empresária Roberta Luchsinger.
Na terça-feira, o ministro Flávio Dino autorizou a abertura de um terceiro inquérito para apurar se Lulinha teria utilizado o nome do presidente da República para favorecer negócios junto ao governo federal.
Ao comentar as investigações, Lula afirmou que elas devem seguir normalmente.
“Se for culpado vai pagar o que todo mundo tem que pagar quando erra”, declarou o presidente em entrevista concedida na última quinta-feira.
Lulinha nega qualquer irregularidade.
Marcola afirma que empréstimo foi devolvido
No caso envolvendo Marco Aurélio Santana Ribeiro, o ex-chefe de gabinete confirmou ter recebido R$ 249 mil de Roberta Luchsinger por meio de um empréstimo pessoal.
Segundo ele, o valor foi integralmente devolvido e a operação está documentada. Em nota, Marcola negou qualquer irregularidade e informou que colocou seus sigilos bancário e fiscal à disposição da Justiça.
Aliados do presidente esperam que o ex-assessor continue apresentando esclarecimentos públicos sobre a negociação. Conforme informações divulgadas pelo colunista Lauro Jardim, Marcola afirmou a interlocutores que a transação foi formalizada por contrato.
Governo teme repercussão durante a campanha
O episódio envolvendo Marcola gerou desconforto entre integrantes do governo e da campanha presidencial, que avaliam que o caso poderá ser explorado por adversários durante o período eleitoral.
A preocupação aumenta diante do cenário eleitoral mais equilibrado. Pesquisa Quaest divulgada nesta quarta-feira aponta Lula com 44% das intenções de voto em um eventual segundo turno, enquanto Flávio Bolsonaro (PL-RJ) aparece com 39%. No levantamento anterior, o placar era de 45% a 37%, respectivamente, variações que permanecem dentro da margem de erro de dois pontos percentuais.
Aliados acompanham desdobramentos
Aos 40 anos, Marcola é considerado um dos colaboradores mais próximos de Lula e mantém relação de confiança com o presidente há cerca de uma década. Apesar da proximidade, aliados avaliam que ele possui menor exposição pública do que Lulinha.
Nos bastidores, integrantes da campanha também demonstram preocupação com possíveis novos desdobramentos das investigações envolvendo o filho do presidente ao longo do período eleitoral e com a utilização política dessas informações pelos adversários.
Lulinha mora atualmente na Espanha com a família desde o início das investigações relacionadas às fraudes no INSS. A defesa afirma que ele não participou de qualquer irregularidade e informou que poderá retornar ao Brasil para prestar depoimento à Polícia Federal, caso seja convocado.