Keiko Fujimori tomou posse como presidente do Peru nesta terça-feira (28), durante uma sessão solene no Congresso, marcando o retorno da direita ao comando do país. A cerimônia, realizada em Lima, contou com a presença de chefes de Estado e autoridades estrangeiras, entre elas o presidente da Argentina, Javier Milei.
Aos 51 anos, Keiko entra para a história como a primeira mulher eleita presidente do Peru. Em seu discurso de posse, ela pediu união nacional e afirmou que pretende governar para todos os peruanos, independentemente de posicionamentos políticos.
A posse representa o auge de uma longa trajetória política. Esta foi a quarta vez que Keiko disputou a Presidência da República. Antes da vitória nas eleições de 2026, ela chegou ao segundo turno em 2011, 2016 e 2021, mas acabou derrotada em todas as ocasiões por diferenças apertadas de votos.
Filha do ex-presidente Alberto Fujimori, que governou o Peru entre 1990 e 2000 e foi posteriormente condenado por violações de direitos humanos, Keiko construiu sua carreira política fortemente associada ao legado do pai, que até hoje divide opiniões na sociedade peruana.
Durante a cerimônia de posse, a nova presidente anunciou que o combate à criminalidade e o enfrentamento das mudanças climáticas serão prioridades de seu governo. Entre as primeiras medidas, ela informou que as Forças Armadas atuarão temporariamente, em conjunto com a Polícia Nacional, em operações de segurança nas regiões mais afetadas pela violência.
Keiko também apresentou um plano nacional de contingência para enfrentar os impactos do fenômeno El Niño e prometeu modernizar o sistema de segurança pública com investimentos em tecnologia. As iniciativas incluem a implantação de sistemas integrados de videomonitoramento, uso de inteligência artificial para mapear áreas de atuação do crime e a criação de centros de comando para agilizar as respostas das forças de segurança.
Em um dos momentos mais contundentes do discurso, a presidente afirmou que seu governo será rigoroso no combate às organizações criminosas e à corrupção dentro das forças policiais.
“A luta não será apenas contra o criminoso comum. Iremos atrás das máfias nacionais e internacionais que financiam a extorsão, o sicariato, o narcotráfico e a mineração ilegal. Fortaleceremos os sistemas de inteligência para desarticular essas organizações desde suas lideranças e estruturas econômicas e seremos implacáveis com aqueles que traírem o uniforme. Nenhum membro da Polícia Nacional que se coloque a serviço do crime encontrará proteção em nosso governo. Quem desonrar a instituição responderá perante a Justiça com todo o peso da lei”, declarou.