O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, prorrogou por mais um ano a declaração de emergência nacional em relação ao Brasil. A decisão, anunciada pela Casa Branca nesta terça-feira (28), mantém em vigor, após 30 de julho de 2026, a medida que classifica ações do governo brasileiro como uma ameaça à segurança nacional, à política externa e à economia norte-americana.
Na justificativa, Trump voltou a afirmar que o governo brasileiro adota práticas que interferem na economia dos Estados Unidos, restringem a liberdade de expressão de cidadãos americanos, violam direitos humanos e prejudicam interesses de empresas e cidadãos do país. Até o momento, o Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty) não havia se pronunciado sobre a decisão.
A emergência nacional foi decretada originalmente em 30 de julho de 2025, por meio da Ordem Executiva 14323. Na ocasião, Trump alegou que ações do governo brasileiro representavam uma “ameaça incomum e extraordinária” aos Estados Unidos e utilizou a medida como base para impor uma tarifa adicional de 40% sobre determinados produtos brasileiros, que se somava à taxa de 10% já existente, totalizando 50%.
No novo documento, o presidente americano também volta a citar uma suposta perseguição política contra um ex-presidente brasileiro — em referência a Jair Bolsonaro, de quem é aliado político. O texto ainda critica decisões do Supremo Tribunal Federal (STF), acusando a Corte de censurar conteúdos publicados na internet e de prender pessoas por exercerem a liberdade de expressão.
Segundo a Casa Branca, essas ações continuam representando riscos aos interesses dos Estados Unidos, justificando a manutenção da emergência nacional por mais um ano. A prorrogação será publicada no Federal Register, o Diário Oficial do governo norte-americano, e encaminhada ao Congresso dos Estados Unidos.
Na prática, a renovação da medida tem, neste momento, impacto principalmente político e diplomático. A tarifa adicional de 40% vinculada à emergência nacional deixou de vigorar em fevereiro, e nenhuma nova sanção econômica foi anunciada. Ainda assim, a decisão mantém formalmente o Brasil na lista de países submetidos a uma declaração de emergência nacional pelos Estados Unidos.
