O Partido dos Trabalhadores (PT), por meio de seu presidente nacional, Edinho Silva, apresentou ao Supremo Tribunal Federal (STF) um pedido para que seja analisado o uso de um vídeo criado com inteligência artificial de Jair Bolsonaro durante a convenção nacional do PL, realizada no último sábado (25).
No evento, o Partido Liberal oficializou a candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência da República. A legenda, no entanto, ainda não definiu o nome que ocupará a vaga de vice nem anunciou as alianças partidárias para a disputa eleitoral.
A manifestação do PT foi protocolada no domingo (26) no âmbito da execução penal do ex-presidente. Segundo a sigla, o uso de um deepfake — tecnologia que utiliza inteligência artificial para reproduzir a imagem e a voz de uma pessoa — representaria uma forma de contornar as restrições impostas a Bolsonaro quanto ao uso das redes sociais e à comunicação com o público.
“O desrespeito à ordem judicial ainda ganha projeção quando se observa que o discurso por IA foi planejado para alcançar as milhares de pessoas presentes no evento e, paralelamente, incalculáveis espectadores e eleitores através das transmissões ao vivo realizadas e hospedadas nas páginas do PL e Flávio Bolsonaro no Youtube, além da cobertura midiática que a imprensa tem dado ao fato em rede nacional”, afirma trecho da petição apresentada pelo partido.
Na manifestação, o PT também compara o episódio ao caso da chamada “Carta aos Brasileiros”. Na ocasião, Flávio Bolsonaro realizou uma transmissão ao vivo em suas redes sociais para ler um texto assinado pelo pai, defendendo a união da direita em torno de sua então pré-candidatura à Presidência.
Após esse episódio, a Justiça determinou a suspensão, por 90 dias, das visitas de Flávio Bolsonaro ao ex-presidente. O prazo da medida deverá se encerrar somente após o primeiro turno das eleições.
O pedido do PT foi apresentado como uma notícia de fato, instrumento utilizado para comunicar à Justiça a existência de um suposto ato irregular e solicitar a apuração do caso.
O processo foi encaminhado, na manhã desta segunda-feira (27), ao gabinete do ministro Alexandre de Moraes, relator do caso no STF. Até o momento, o magistrado ainda não se manifestou sobre o pedido.