O Partido dos Trabalhadores (PT) apresentou nesta quarta-feira (22) uma representação ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), após declarações do parlamentar questionando a segurança das urnas eletrônicas brasileiras.
Na ação, o partido também citou o deputado federal Gustavo Gayer (PL-GO) e o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), afirmando que os três teriam divulgado informações consideradas falsas sobre a confiabilidade do sistema eletrônico de votação e sobre a atuação da Justiça Eleitoral.
Segundo o PT, as manifestações dos parlamentares teriam utilizado como base documentos divulgados pelo governo dos Estados Unidos relacionados a supostas capacidades de manipulação eleitoral na Venezuela.
“O insumo da desinformação empreendida pelos representados é a desclassificação, pelo governo dos Estados Unidos, em 1º de julho de 2026, por determinação do diretor da Central Intelligence Agency (CIA), John Ratcliffe, de documento de inteligência intitulado ‘Summary of Select Intelligence Reporting from 2004-2020 on Venezuela’s Electronic Voting Manipulation Capabilities'”, afirmou o partido no pedido encaminhado ao TSE.
A legenda argumenta que o documento da CIA trata exclusivamente do sistema eleitoral venezuelano e não apresenta qualquer relação com as urnas eletrônicas utilizadas no Brasil.
Para o PT, a associação feita pelos parlamentares entre o relatório americano e o processo eleitoral brasileiro teria ocorrido de forma descontextualizada e teria como objetivo levantar dúvidas sobre a segurança das eleições nacionais.
“O documento estadunidense e suas conclusões não dizem respeito ao Brasil em nenhum aspecto, porém essa circunstância é deliberadamente omitida ou descontextualizada pelos representados”, declarou o partido na representação.
Na ação, o PT afirmou ainda que Flávio Bolsonaro, Eduardo Bolsonaro e Gustavo Gayer fizeram publicações nas redes sociais sugerindo uma ligação entre o relatório da CIA e uma possível vulnerabilidade das urnas brasileiras, o que, segundo a legenda, configuraria desinformação.
Em relação especificamente a Flávio Bolsonaro, o partido afirmou que o tema ganhou maior repercussão após um discurso feito pelo senador durante o evento “Debatendo o Brasil”, realizado em Brasília, com participação de representantes diplomáticos de cerca de 42 países e organizações internacionais.
Durante o encontro, Flávio mencionou o relatório americano sobre a Venezuela e citou a empresa Smartmatic, afirmando que haveria relação entre a companhia e equipamentos utilizados em processos eleitorais brasileiros. O senador, porém, declarou que não estava questionando diretamente o sistema de votação do Brasil e defendeu a presença de observadores internacionais nas eleições.
No pedido apresentado ao TSE, o PT solicitou que as plataformas digitais responsáveis pela divulgação dos conteúdos sejam notificadas para retirar as publicações do ar. O partido também pediu que os parlamentares sejam impedidos de repetir ou divulgar novas associações entre a Smartmatic e as urnas eletrônicas brasileiras, sob pena de aplicação de multa.
A representação ainda será analisada pela Justiça Eleitoral.
