A nova escalada das tensões entre Estados Unidos e Irã já começa a provocar reflexos diretos na economia iraniana. A desvalorização recorde da moeda local, o rial, e a perspectiva de uma forte recessão aumentam as dificuldades enfrentadas pela população, que convive com inflação elevada, desemprego e perda do poder de compra.
Segundo o jornal Financial Times, o rial atingiu no mercado paralelo a cotação de 1,95 milhão por dólar, um novo recorde de desvalorização. A moeda perdeu cerca de 10% do seu valor desde que o frágil cessar-fogo entre os dois países começou a se deteriorar no início de julho.
A alta do dólar também foi acompanhada pela valorização de outras moedas estrangeiras no mercado informal, o mais utilizado pelos iranianos. A libra esterlina passou a valer 2.576.500 riais, enquanto o euro ultrapassou a marca de 2.190.000 riais.
Poder de compra da população diminui
A queda do rial tem impacto imediato sobre o custo de vida da população. Com a moeda mais fraca, produtos importados, medicamentos e matérias-primas ficam mais caros, pressionando ainda mais a inflação.
Pela cotação registrada na última sexta-feira, o salário mínimo oficial do país, equivalente a 166.255.500 riais por mês, correspondia a aproximadamente US$ 87, evidenciando a perda do poder de compra dos trabalhadores.
O Fundo Monetário Internacional (FMI) alerta que a desvalorização cambial amplia os custos das importações e alimenta novas altas de preços em uma economia já fragilizada por sanções internacionais, danos provocados por conflitos e anos de dificuldades na gestão econômica.
Economia deve encolher mais de 6%
As projeções do FMI indicam um cenário ainda mais desafiador para os próximos meses. A expectativa é de que o Produto Interno Bruto (PIB) do Irã recue 6,1% em 2026, após uma retração estimada de 1,5% no ano anterior.
A inflação também deve permanecer em níveis extremamente elevados. A previsão é de que a média anual alcance 68,9%, depois de já ter superado os 50% no ano passado.
O mercado de trabalho também tende a piorar. A taxa oficial de desemprego deve subir de 8% para 9,2%, embora especialistas ressaltem que o índice não reflita toda a realidade do país, já que muitos iranianos deixam de procurar emprego diante da escassez de oportunidades. O trabalho informal e os empregos de baixa remuneração predominam em diversos setores da economia.
Contas externas também preocupam
Além da deterioração da atividade econômica, a posição externa do Irã também apresenta sinais de enfraquecimento.
De acordo com o site Iran International, a conta corrente — indicador que mede o fluxo de recursos provenientes do comércio internacional e de outras transações com o exterior — deve passar de um superávit de 0,6% do PIB para um déficit de 1,8%.
A combinação entre a forte desvalorização da moeda, inflação elevada, recessão, aumento do desemprego e piora das contas externas reforça os desafios enfrentados pelo governo iraniano em meio ao agravamento das tensões geopolíticas e ao impacto das sanções econômicas internacionais.