A decisão do PT de lançar uma candidatura própria ao Governo de Minas Gerais mudou o cenário político no estado e reduziu significativamente as possibilidades de alianças para as eleições. Ao abandonar a estratégia de apoiar um nome de centro em uma chapa ampla, o partido passa a apostar em uma candidatura totalmente alinhada à esquerda, o que dificulta acordos com legendas de centro e de direita.
O escolhido para disputar o Palácio Tiradentes é o deputado federal Patrus Ananias (PT), enquanto a ex-prefeita de Contagem Marília Campos (PT) será candidata a uma das duas vagas ao Senado. Com isso, a chapa petista fica praticamente definida, restando apenas os cargos de vice-governador e da segunda candidatura ao Senado.
PT perde espaço para alianças mais amplas
A mudança de estratégia afasta a possibilidade de alianças com partidos que vinham dialogando com o PT, como o MDB. A legenda aceitava discutir uma composição, desde que pudesse indicar o candidato ao governo, cenário que deixou de existir com a confirmação da candidatura própria petista.
No campo da esquerda, as opções também são limitadas. O PDT decidiu lançar candidatura própria, com o ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil, reduzindo as alternativas do PT praticamente ao PSB e à federação Rede-PSOL.
PSB é visto como principal aliado
A presidente estadual do PT em Minas Gerais, deputada Leninha, afirmou que as conversas com o PSB estão avançadas e que o objetivo é repetir, no estado, a aliança nacional entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o vice-presidente Geraldo Alckmin.
Segundo ela, o partido também mantém diálogo com o MDB e com a federação Rede-PSOL para tentar ampliar a composição da chapa.
Nos bastidores, a expectativa é de que a vaga de vice-governador seja destinada ao PSB. Entretanto, integrantes da legenda demonstram resistência à proposta, avaliando que a chapa petista pode ter menor competitividade do que uma coligação mais ampla e que a ausência de candidaturas próprias ao governo ou ao Senado pode reduzir a visibilidade dos candidatos socialistas à Assembleia Legislativa e à Câmara dos Deputados.
PSB e MDB mantêm estratégias próprias
Entre os nomes cotados pelo PSB está o ex-procurador-geral de Justiça Jarbas Soares, que manifestou interesse em disputar o governo de Minas. Com a mudança de cenário, ele teria sinalizado que não gostaria de integrar uma chapa como candidato a vice, mas aceitaria concorrer ao Senado.
Já o MDB afirma que mantém o projeto de lançar Gabriel Azevedo ao governo estadual. Até a definição do PT, as negociações envolviam uma possível participação dos petistas na chapa emedebista, com Marília Campos disputando o Senado. Na última semana, o MDB reforçou esse posicionamento ao lançar oficialmente seu programa de governo para Minas Gerais.
Com a definição do PT por uma candidatura própria, o cenário eleitoral mineiro ganha novos contornos, reduzindo as possibilidades de alianças amplas e intensificando a disputa entre os principais grupos políticos que pretendem concorrer ao governo do estado em 2026.
