O Irã ampliou significativamente suas exportações de petróleo durante o período de cessar-fogo firmado com os Estados Unidos em meados de junho, acumulando bilhões de dólares em receitas antes do rompimento do acordo. Com o retorno das hostilidades entre os dois países, esses recursos podem representar uma vantagem estratégica para o governo iraniano.
Após a retomada dos ataques no início deste mês, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou que o cessar-fogo havia chegado ao fim.
Durante o período de trégua, Washington adotou duas medidas que favoreceram temporariamente o setor petrolífero iraniano: suspendeu o bloqueio naval que impedia a saída de navios carregados com petróleo e concedeu uma isenção às sanções que restringiam as exportações do produto.
A flexibilização, no entanto, foi revogada em 7 de julho, depois que três petroleiros foram alvo de ataques no Estreito de Hormuz. Antes disso, o Irã conseguiu acelerar o envio de embarcações rumo ao mercado asiático, onde mantém uma rede de compradores de petróleo.
Petróleo impulsionou receitas do Irã
Antes do bloqueio imposto pelos Estados Unidos, cerca de 80% das exportações iranianas passavam pelo Estreito de Hormuz. As restrições norte-americanas chegaram a impedir o embarque de mais de 1,5 milhão de barris de petróleo por dia.
Com a suspensão temporária das medidas, o Irã exportou rapidamente entre 45 milhões e 50 milhões de barris de petróleo, segundo estimativas de analistas. O volume representa uma receita de bilhões de dólares, considerada importante para uma economia que enfrenta dificuldades provocadas pelas sanções internacionais.
Frota fantasma facilita exportações
Para driblar as restrições comerciais, o Irã utiliza há anos a chamada “frota fantasma”, composta por embarcações que empregam diferentes estratégias para ocultar sua origem e seus deslocamentos.
Entre as práticas adotadas estão o uso de bandeiras de outros países e o desligamento dos sistemas de rastreamento, dificultando a identificação dos navios e de seus proprietários.
Grande parte desse petróleo é destinada às chamadas refinarias “teapot” da China, pequenas empresas privadas que compram petróleo com descontos e continuam negociando com o Irã apesar das sanções impostas pelos Estados Unidos.
Durante o período de flexibilização das restrições, o governo iraniano conseguiu comercializar petróleo a preços próximos aos praticados no mercado internacional, o que aumentou a arrecadação do país.
O bloqueio às exportações foi restabelecido em 14 de julho, exigindo novamente uma ampla operação militar para fiscalização das embarcações.
Receitas podem fortalecer o governo iraniano
Os recursos obtidos com as vendas de petróleo são considerados fundamentais para o Irã em meio ao agravamento do conflito com os Estados Unidos.
Além dos custos militares, a economia iraniana enfrenta impactos causados pelos danos provocados pela guerra e pelo aumento dos preços de produtos essenciais, como alimentos e medicamentos.
Com as sanções voltando a limitar sua principal fonte de exportação, os milhões de barris que já seguem em direção ao mercado asiático representam um importante ativo econômico para o governo iraniano.
