A morte de Mansoureh Khojasteh Bagherzadeh, esposa do aiatolá Ali Khamenei, ampliou a gravidade da crise no Irã e no Oriente Médio, após um bombardeio conjunto dos Estados Unidos e de Israel em Teerã que também matou o líder supremo iraniano.
Como foi a morte de Mansoureh Khojasteh Bagherzadeh e de Khamenei?
Segundo a mídia estatal iraniana, Mansoureh não resistiu aos ferimentos provocados pelo bombardeio em Teerã, vindo a falecer nesta segunda-feira (2/3) após permanecer em coma desde o ataque. O bombardeio coordenado por Estados Unidos e Israel, realizado em 28 de fevereiro, já havia causado a morte de Ali Khamenei, confirmada oficialmente no domingo seguinte.
A imprensa iraniana relata que o casal teria sido alvo direto de mísseis disparados contra instalações estratégicas, em meio a uma ofensiva ligada às tensões sobre o programa nuclear iraniano. A morte quase simultânea do líder supremo e de sua esposa reforça a percepção de que a ofensiva estrangeira mirou o coração político e pessoal da liderança do país.
Qual é o impacto político interno da morte de Khamenei?
A morte do líder supremo representa um dos maiores abalos ao sistema político iraniano desde a Revolução Islâmica de 1979, pois o posto concentra autoridade religiosa, militar e política. Em um sistema fortemente centralizado, a ausência de Khamenei cria um vácuo de poder e intensifica rivalidades entre conservadores, a Guarda Revolucionária e setores do clero.
A perda de Mansoureh, embora não mude a estrutura formal do regime, enfraquece o núcleo familiar que dava sustentação simbólica à autoridade de Khamenei nos bastidores. Analistas apontam que esse cenário pode acelerar debates sobre a sucessão, o papel da presidência e a possível emergência de novas lideranças ou arranjos institucionais transitórios.
Como começou e se desenvolve a nova escalada militar?
A atual ofensiva contra o Irã teve início no sábado, 28 de fevereiro, quando forças norte-americanas e israelenses lançaram ataques aéreos contra instalações militares e alvos estratégicos iranianos. Washington e Tel Aviv justificaram a operação citando preocupação com o avanço do programa nuclear iraniano e o risco de Teerã obter armamento atômico.
Em resposta, o regime iraniano passou a atingir ou ameaçar países do Oriente Médio que abrigam bases dos Estados Unidos, como Emirados Árabes Unidos, Catar, Bahrein, Kuwait, Jordânia e Iraque. O presidente Masoud Pezeshkian classificou a vingança contra Israel e EUA como um “direito e dever legítimo”, prometendo uma ofensiva “histórica”.
O que está em jogo para o Oriente Médio?
Com a ofensiva em curso, as tensões no Oriente Médio voltam a dominar o debate internacional e elevam o risco de um conflito regional de grandes proporções. Qualquer escalada direta contra países vizinhos pode afetar infraestrutura energética, rotas de petróleo e gás e, por consequência, o abastecimento global e os preços das commodities.
Do lado norte-americano, o presidente Donald Trump declarou que os ataques contra o Irã continuarão enquanto considerar necessário para alcançar uma “paz duradoura” na região. Enquanto isso, civis em vários países vivem sob temor de novos bombardeios e deslocamentos, e organismos internacionais avaliam possibilidades de mediação.
Quais podem ser os próximos desdobramentos da crise e da sucessão no Irã?
O futuro imediato da crise passa pela definição da sucessão no Irã, pela intensidade das retaliações militares e pela capacidade de contenção de aliados e organismos multilaterais. Em meio a um cenário de ataques externos, qualquer sinal de fragmentação interna pode ser visto como oportunidade para novas pressões diplomáticas ou ações militares adicionais.
Especialistas discutem vários cenários possíveis para a trajetória do conflito e a reorganização do poder em Teerã, que podem envolver escolhas distintas de estratégia e de interlocução internacional:
- Manutenção de uma linha dura, com ampliação de ataques contra interesses dos EUA e aliados na região.
- Busca por canais indiretos de diálogo para evitar um conflito aberto de grandes proporções.
- Pressão internacional crescente sobre o programa nuclear iraniano, com novas sanções e resoluções.
- Maior envolvimento de países do Golfo e de potências globais em iniciativas de mediação.