A reta final da construção da Ponte Internacional da Rota Bioceânica marca uma mudança importante na logística entre Brasil, Paraguai e o mercado asiático, ao encurtar o caminho das exportações brasileiras para a China e outros países da Ásia.
Como será a Ponte Internacional da Rota Bioceânica?
A ponte, que liga Porto Murtinho (MS) a Carmelo Peralta (Paraguai), terá 1.294 metros de extensão e 21 metros de largura, integrando o Corredor Rodoviário de Capricórnio. Ela conecta rodovias do Brasil a portos chilenos no Pacífico, passando por Paraguai e Argentina, criando um novo eixo de escoamento de cargas.
Governos e setores do comércio exterior tratam a obra como estratégica por reduzir distâncias, tempo de viagem e custos logísticos nas exportações para a Ásia, além de fortalecer a integração regional e impulsionar o desenvolvimento econômico no interior do continente sul-americano.
Como a Rota Bioceânica encurta a viagem de exportações brasileiras para a Ásia?
Hoje, o principal caminho das exportações brasileiras para a China passa por portos do Sudeste e do Sul, com longas rotas pelo Atlântico. Com a ponte e o corredor até os portos chilenos, parte do trajeto passa a ser rodoviário, reduzindo o trecho marítimo e agilizando o fluxo de mercadorias.
Estimativas oficiais indicam que a nova rota pode diminuir em mais de 9,7 mil quilômetros o percurso marítimo até a Ásia e reduzir o tempo de viagem à China entre 12 e 17 dias, cerca de 23% do trajeto, o que melhora prazos, previsibilidade e a competitividade dos produtos brasileiros. Veja imagens das obras na ponte, divulgadas no vídeo do CANAL PARAGUAI OFICIAL, via YouTube:
Como está a fase final de construção da nova ponte?
No canteiro de obras, cerca de 280 trabalhadores brasileiros e paraguaios atuam na etapa do “beijo” das aduelas, quando os segmentos da ponte que avançam de cada margem se encontram no meio do Rio Paraguai. A previsão é de que o vão principal esteja concluído até maio de 2026.
Após o fechamento do vão, começa uma fase de serviços técnicos voltados à estabilidade e segurança da estrutura, que incluirá monitoramento em tempo real e tecnologias para suportar o intenso tráfego de veículos pesados:
- Instalação de cabos de aço dentro da laje de concreto;
- Ajuste dos 168 cabos que sustentam o vão central;
- Colocação de amortecedores para reduzir vibrações e aumentar a segurança;
- Aplicação de sensores eletrônicos nos pilares e cabos para detectar anomalias;
- Monitoramento contínuo da carga suportada e do comportamento estrutural.
Quais impactos logísticos a Rota Bioceânica trará para as exportações rumo à China?
A ponte integra um corredor que cruza Brasil, Paraguai, Argentina e Chile até portos do Pacífico, transformando o Mato Grosso do Sul em porta de saída para commodities agrícolas, produtos industrializados e outros itens destinados à Ásia, especialmente à China.
A Receita Federal prevê a circulação inicial de cerca de 250 caminhões por dia, número que pode crescer com a consolidação da rota, resultando em fretes mais competitivos, diversificação de caminhos de exportação e maior integração logística entre os países do Mercosul e o mercado asiático. Veja os impactos regionais:
🌎 Impactos Logísticos da Rota Bioceânica nas Exportações para a China
Como o novo corredor internacional transforma o escoamento da produção brasileira
Redução da distância até a Ásia com acesso direto aos portos do norte do Chile, evitando o Canal do Panamá.
Diminuição do tempo de transporte das cargas brasileiras rumo ao mercado chinês.
Queda nos custos logísticos para grãos, carnes, minérios e celulose do Centro-Oeste.
Descongestionamento dos portos do Sudeste e Sul com melhor distribuição do fluxo exportador.
Integração rodoviária entre Brasil, Paraguai, Argentina e Chile ampliando rotas internacionais.
Maior previsibilidade logística com trajetos mais curtos e menor dependência marítima.
Fortalecimento das exportações do agronegócio brasileiro para a China.
Estímulo à criação de polos logísticos e industriais próximos ao corredor bioceânico.
Aumento da competitividade global com redução do custo final dos produtos exportados.
Quais etapas ainda faltam para a entrega total da nova ponte?
Mesmo com o avanço do vão central, a entrega completa depende de acabamentos e sistemas complementares para operação segura. A previsão é que a ponte esteja totalmente concluída em agosto de 2026, já integrada ao Corredor de Capricórnio.
Nessa fase final, serão incluídas estruturas de segurança, conforto e orientação, como sinalização, controle de tráfego e facilidades para diferentes modais de transporte, consolidando a ponte como novo corredor bioceânico:
- Instalação de iluminação específica para orientar embarcações no Rio Paraguai;
- Acabamento do piso, colocação de grades de proteção e construção de ciclovia;
- Asfaltamento da pista de rolamento e pintura final da estrutura;
- Sinalização horizontal e vertical para organizar o fluxo de veículos;
- Implantação de iluminação ornamental e estruturas alfandegárias integradas.