O anúncio do cronograma do túnel Santos-Guarujá marcou um novo capítulo para a mobilidade no litoral de São Paulo. Após a assinatura do contrato da Parceria Público-Privada (PPP) com o grupo português Mota-Engil, em janeiro de 2026, o governo estadual detalhou o que deve acontecer ano a ano até a abertura da travessia submersa, vista como estratégica para o Porto de Santos, para a economia regional e para a criação de cerca de 9 mil empregos diretos e indiretos.
Qual é o cronograma do túnel Santos-Guarujá até 2030?
O cronograma prevê uma sequência de etapas técnicas e administrativas até o início da operação em 2030. Em 2026, a prioridade é desenvolver os projetos funcional e executivo, concluir estudos complementares, negociar desapropriações para acessos e canteiros e conduzir os licenciamentos ambientais necessários.
Em 2027, o túnel entra na fase de obras físicas, com construção da doca seca onde os módulos serão produzidos, dragagens preliminares no canal portuário e implantação dos canteiros de obra. Em 2028, o foco será a pré-moldagem dos elementos do túnel, a dragagem da trincheira que receberá a travessia e o início das rampas de acesso em Santos e Guarujá.
Como será a construção da travessia submersa Santos-Guarujá?
O túnel Santos-Guarujá será do tipo túnel imerso, em que módulos pré-moldados são construídos em ambiente controlado, rebocados e afundados no local definitivo. Serão seis elementos formando cerca de 1,5 km de extensão, dos quais aproximadamente 870 metros debaixo d’água, alinhados, conectados e selados para garantir estanqueidade e segurança estrutural.
Em 2029, os módulos serão instalados na trincheira dragada, com selagem das juntas e avanço das obras de acesso em ambos os lados, em uma etapa que exige forte coordenação entre equipes navais, de engenharia civil e de monitoramento ambiental. Em 2030, serão executados acabamentos, sistemas de ventilação, iluminação, monitoramento, drenagem, segurança, pavimentação e sinalização, seguidos de testes operacionais antes da liberação ao público. Veja os detalhes sobre o andamento das obras no vídeo divulgado pelo Governo de SP:
Quais benefícios o túnel Santos-Guarujá deve gerar na mobilidade e na economia?
A ligação direta e seca entre Santos e Guarujá tende a reduzir o tempo de deslocamento e a dependência das balsas, tornando o fluxo entre as cidades mais previsível. A travessia será destinada a veículos, pedestres e VLT, ampliando a integração com outros modais urbanos e metropolitanos e favorecendo um sistema de transporte mais conectado.
Do ponto de vista econômico, o projeto reforça o papel do Porto de Santos, principal complexo portuário do país, ao melhorar o acesso terrestre, diminuir gargalos logísticos e dar mais fluidez ao transporte de cargas. A movimentação associada à construção e à operação tende a impulsionar comércio, serviços, construção civil e novos investimentos na Baixada Santista. Veja os benefícios:
Qual a importância do túnel para o Brasil?
O túnel Santos-Guarujá será a primeira travessia submersa do Brasil, colocando o país em um novo patamar de soluções de engenharia para mobilidade urbana e logística portuária. O projeto envolve cooperação entre governo federal, governo de São Paulo e Autoridade Portuária de Santos (APS), além da concessionária Mota-Engil, em uma PPP com prazo de 30 anos para construção, operação e manutenção:
- Introduz no Brasil a tecnologia de túnel imerso em área portuária de grande porte.
- Responde a uma demanda histórica por ligação eficiente entre Santos e Guarujá.
- Pode servir de referência para projetos semelhantes em outros portos e regiões costeiras.
- Exige padrões elevados de segurança, monitoramento e desempenho operacional contínuo.