A futura terceira pista da Rodovia dos Imigrantes, no Sistema Anchieta-Imigrantes (SAI), ganhou destaque após o governador Tarcísio de Freitas afirmar que o empreendimento será maior que o túnel Santos-Guarujá. Com investimento estimado em aproximadamente R$ 8 bilhões, a nova ligação rodoviária é tratada como uma das principais obras de infraestrutura viária em preparação no Estado de São Paulo, com início previsto para o segundo semestre de 2026, caso o cronograma de projetos e licenças ambientais seja mantido.
Como está o projeto da 3ª pista da Imigrantes?
A declaração sobre a relevância da obra foi dada em Cubatão, durante cerimônia de entrega de moradias, quando o governador detalhou o andamento dos projetos. Enquanto o túnel Santos-Guarujá ainda está na fase de assinatura de contrato, a 3ª pista da Imigrantes já conta com projeto básico concluído e segue em fase de licenciamento ambiental junto à Cetesb.
Segundo o governo e a concessionária Ecovias, a expectativa é de que a nova pista altere de forma significativa a dinâmica do transporte entre o planalto, a Baixada Santista e o Porto de Santos. A previsão é que o projeto executivo seja certificado por empresa independente até meados de 2026, permitindo o início das obras ainda no segundo semestre, caso as licenças sejam emitidas dentro do prazo.
Qual é a dimensão da obra e por que a 3ª pista da Imigrantes é estratégica?
A 3ª pista da Imigrantes é apontada como a maior intervenção rodoviária em preparação no sistema viário paulista, com cerca de 21,65 km de extensão no trecho de serra. O traçado inclui 5 túneis e 8 obras de arte especiais, como pontes e viadutos, com destaque para um túnel com pouco mais de 6 km, que deverá ser o maior túnel rodoviário do país.
O início da nova pista está previsto na altura do km 43 da Rodovia dos Imigrantes, permitindo conexão direta com o Rodoanel Mário Covas. Na Baixada Santista, a ligação deve ocorrer no km 265 da Rodovia Cônego Domênico Rangoni, próximo ao polo industrial de Cubatão, criando um novo corredor para cargas e alternativa operacional em períodos de maior movimento. Veja a importância do projeto:
- Aumento da capacidade viária: reduz gargalos em horários de pico e períodos de feriados prolongados.
- Melhoria do fluxo ao Porto de Santos: facilita o escoamento de cargas e fortalece a logística nacional.
- Redução de acidentes: separação mais eficiente entre veículos leves e pesados.
- Maior previsibilidade no tráfego: diminui paralisações causadas por congestionamentos ou interdições.
- Impacto econômico positivo: impulsiona o comércio, o turismo e a competitividade da região.
Como a 3ª pista da Imigrantes vai melhorar o tráfego e o Porto de Santos?
Projeções da concessionária e de órgãos do governo estadual indicam que a 3ª pista da Imigrantes deve aumentar em cerca de 25% a capacidade total de tráfego do sistema e em mais de 140% a capacidade para veículos pesados. A operação em ambos os sentidos deve facilitar o acesso às margens direita e esquerda do Porto de Santos, reduzindo gargalos logísticos.
O debate sobre a necessidade de uma nova ligação entre o planalto e a Baixada Santista ganhou força em 2024, em audiência pública na Assembleia Legislativa de São Paulo. Representantes de Ecovias, Artesp, Autoridade Portuária de Santos, Polícia Rodoviária Estadual e prefeituras apontaram que o Sistema Anchieta-Imigrantes já apresenta sinais de saturação, com a Via Anchieta recebendo cerca de 10 mil caminhões por dia. Veja os benefícios para a região:
Reduz gargalos na descida da serra, principalmente em horários de pico e períodos de safra.
Melhora o acesso ao Porto de Santos, diminuindo filas e reduzindo o tempo de espera.
Alivia o tráfego pesado nas cidades do entorno da Baixada Santista.
Separação de fluxos e melhor gerenciamento do tráfego na serra.
Torna o escoamento de cargas mais eficiente e competitivo para o Porto de Santos.
Quais são as próximas etapas do projeto do maior túnel do Brasil?
O projeto da terceira pista da Imigrantes está em fase de licenciamento ambiental, com a Cetesb analisando o Estudo e Relatório de Impacto Ambiental (EIA/RIMA). A Ecovias finaliza o projeto executivo, que será submetido à certificação independente antes da validação definitiva e da emissão das licenças necessárias para o início das obras.
A Agência de Transportes do Estado de São Paulo (Artesp) avalia como enquadrar a obra no contrato de concessão vigente, em conjunto com a Secretaria de Parcerias em Investimentos. Nesse processo, são considerados o retorno econômico, a viabilidade técnica e a redução de impactos na Serra do Mar, exigindo planejamento rigoroso para túneis longos, viadutos em área de serra e canteiros de obras. Veja detalhes do projeto no vídeo divulgado pelo Governo de SP:
Quais são as expectativas logísticas do projeto?
A 3ª pista da Imigrantes é vista como reforço fundamental à infraestrutura da Baixada Santista, diante do crescimento projetado da demanda até 2040. Dados portuários indicam que, em 2022, aproximadamente 162 milhões de toneladas de cargas circularam pela rodovia com destino ao Porto de Santos, com previsão de chegar a 240 milhões de toneladas, o que torna a nova via peça-chave na competitividade logística.
Nesse contexto, surgem dúvidas frequentes de usuários e moradores sobre operação, pedágio, impacto no tempo de viagem e relação com as pistas atuais. Abaixo estão algumas das principais questões já levantadas em audiências públicas e comunicados oficiais:
- A terceira pista da Imigrantes será exclusiva para caminhões? Não. A previsão é que a nova pista opere em ambos os sentidos e atenda tanto veículos leves quanto pesados, embora o ganho de capacidade para caminhões e ônibus seja mais expressivo.
- A obra vai substituir a Anchieta ou a atual Imigrantes? Não há indicação de substituição. A nova via deve funcionar como complemento ao Sistema Anchieta-Imigrantes, ampliando a capacidade e oferecendo mais alternativas operacionais.
- O maior túnel da nova pista terá pedágio específico? Até o momento, a cobrança permanece vinculada ao sistema de pedágio já existente no SAI. Eventuais mudanças tarifárias dependerão de decisões regulatórias e contratuais futuras.
- Haverá impacto direto no tempo de viagem entre São Paulo e Baixada Santista? A expectativa é de redução de congestionamentos em períodos de pico e melhoria na fluidez geral, o que tende a diminuir o tempo médio de deslocamento, sobretudo em horários de maior movimento.