A inauguração da Ponte do Arruda, em 15 de janeiro de 2026, marca uma nova etapa na mobilidade urbana da Zona Norte do Recife. A estrutura, parte central da futura via radial entre a BR-101 e a Avenida Agamenon Magalhães, integra um pacote de intervenções viárias e de saneamento na Bacia do Beberibe, financiado com recursos federais e executado pela Secretaria de Saneamento do Recife.
Qual a importância da Ponte do Arruda para a Zona Norte?
Localizada na confluência do Canal do Arruda com o Rio Beberibe, a ponte fortalece a ligação entre bairros como Campo Grande, Peixinhos, Arruda e Campina do Barreto. A nova conexão reduz a dependência de rotas tradicionais e oferece caminhos mais diretos para áreas de grande fluxo, como o corredor da Agamenon Magalhães e a BR-101. O investimento da obra foi de R$ 17 milhões.
Com 36 metros de comprimento e 14 metros de largura, a ponte abriga duas faixas de rolamento que somam sete metros, além de ciclovia e calçadas com cerca de cinco metros. A concepção atende a diferentes modais (carros, ônibus, motos, ciclistas e pedestres) criando um novo ponto de travessia sobre o Canal do Arruda.
Como é o projeto estrutural e a integração com o corredor do Beberibe?
O projeto estrutural da Ponte do Arruda utiliza sistema misto de concreto e aço, solução apontada como adequada para garantir durabilidade, desempenho e eficiência construtiva. A combinação de materiais favorece resistência e manutenção, alinhando a ponte a modelos adotados em grandes centros urbanos.
Do ponto de vista da circulação, a ponte funciona como elo de um corredor que conecta trechos implantados às margens do Rio Beberibe. Junto com a Ponte do Rio Morno, na ligação entre Beberibe e Dois Unidos, ela ajuda a formar uma nova avenida marginal ao rio, superando barreiras físicas e antigos gargalos de trânsito. Veja imagens da inauguração da ponte no vídeo divulgado pelo prefeito do Recife, João Campos:
Como funciona a nova via radial entre a BR-101 e a Avenida Agamenon Magalhães?
A via radial projetada pela Prefeitura do Recife combina trechos de ruas existentes com novas intervenções viárias para criar um eixo contínuo. O trajeto começa na Rua Odorico Mendes, segue pela Rua Jerônimo Vilela, alcança a Avenida Professor José dos Anjos, cruza a Ponte do Arruda e acessa a nova avenida às margens do Rio Beberibe.
Na sequência, o corredor passa pela Ponte do Rio Morno e segue até a Rua Pereira Barreto, conectando-se diretamente à BR-101. Até o momento, foram entregues cerca de 4,8 quilômetros, incluindo obras de esgotamento sanitário e ciclovia, distribuídos em trechos específicos:
- Lote 1: entre a Avenida José dos Anjos e a Rua dos Craveiros;
- Lotes 2 e 3: entre a Avenida Cidade de Monteiro, em Beberibe, e a Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) Minerva, em Dois Unidos;
- Segmento pendente: avenida marginal no bairro de Cajueiro, com recursos assegurados e em tratativas com a Caixa Econômica Federal.
Quais mudanças no trânsito o novo binário trouxe para o entorno?
Com a entrada em operação da Ponte do Arruda, um novo esquema de circulação foi implementado, com destaque para a ampliação do binário da Avenida Professor José dos Anjos. Em trecho estratégico, entre a Rua Farias Neves e a Avenida Poeta Vinícius de Moraes, foram estabelecidos sentidos únicos para reorganizar fluxos e reduzir conflitos.
Nesse arranjo, a Ponte do Arruda opera em sentido único, estruturando o acesso e retorno em direção ao subúrbio, enquanto o pontilhão entre a Rua Farias Neves e a Rua Jerusalém funciona em mão única no sentido centro. A região recebeu nova sinalização horizontal e vertical, e a CTTU realiza monitoramento, fiscalização e orientação para adaptação gradual dos condutores. Veja os benefícios da ponte na cidade:
Melhora da mobilidade urbana
Cria uma passagem direta para cruzar o Canal do Arruda, integrando a ponte à nova via radial da cidade.
Redução do tempo de deslocamento
Facilita a ligação entre a BR-101 e a Avenida Agamenon Magalhães, evitando trajetos longos e desvios.
Integração de bairros da Zona Norte
Conecta Campo Grande, Peixinhos, Arruda, Campina do Barreto e Beberibe de forma mais eficiente.
Redistribuição do fluxo de trânsito
Ajuda a aliviar congestionamentos em vias tradicionais ao oferecer uma nova alternativa viária.
Estrutura multimodal
Projetada para carros, ônibus, motos, ciclistas e pedestres, com ciclovia e calçadas adequadas.
Organização viária local
Contribui para o ordenamento do tráfego e aumenta a segurança de quem circula na região.
Qual é o papel do saneamento e do PAC Beberibe?
A Ponte do Arruda integra o PAC Beberibe, programa voltado à reorganização urbana e ambiental na bacia do rio. Além das intervenções viárias, está em implantação um Sistema de Esgotamento Sanitário (SES) que beneficiará 289 ruas em bairros como Beberibe, Dois Unidos, Linha do Tiro, Fundão e Porto da Madeira, com cerca de 80 quilômetros de rede coletora.
Com investimento estimado em R$ 56 milhões, financiados pela Caixa Econômica Federal, o SES da Bacia do Beberibe se soma às novas pontes, avenidas marginais e ciclovias, atuando simultaneamente em mobilidade, drenagem e condições sanitárias. Nesse conjunto, a ponte assume função simbólica e funcional ao conectar bairros da Zona Norte e viabilizar a continuidade da via radial.