O investimento de R$ 650 milhões no novo Moegão, no Porto de Paranaguá, marca uma etapa relevante na estratégia do Paraná para ampliar a exportação de grãos e farelos. A obra, prevista para ser concluída até fevereiro de 2026, integra um pacote de modernização que envolve também o Porto de Antonina e busca dar mais fluidez ao escoamento da produção agrícola do estado e de outras regiões do país, em sintonia com o aumento esperado da safra brasileira nos próximos anos.
Como o investimento no Moegão muda o ritmo da exportação de grãos?
Com foco em granéis sólidos, o projeto se apoia em um modelo de logística integrada, combinando ferrovia, armazéns e terminais portuários. A intenção é reduzir gargalos, agilizar o descarregamento de vagões e aumentar a eficiência operacional, reforçando a posição do Porto de Paranaguá como um dos principais corredores de exportação do agronegócio brasileiro.
A aposta do governo estadual é que o Moegão funcione como um grande “pulmão logístico” para o Corredor de Exportação Leste (Corex). O complexo vai centralizar o recebimento de trens carregados de grãos e farelos e distribuir essa carga para 11 terminais interligados, permitindo maior previsibilidade na programação dos navios e redução de custos logísticos para tradings e cooperativas.
Como o Moegão se integra ao plano de expansão do Porto de Paranaguá?
O investimento de R$ 650 milhões é financiado com recursos próprios da empresa pública e apoio do BNDES. A previsão é que, quando estiver em plena operação, o sistema seja capaz de receber até 24 milhões de toneladas por ano, elevando a capacidade diária de descarregamento de cerca de 550 para 900 vagões, ou 68 mil toneladas de produtos por dia.
Os dados de execução indicam que o cronograma está avançado, com cerca de 87% da parte civil, 85,24% da estrutura mecânica e 57,81% da etapa elétrica concluídos. Segundo a direção da Portos do Paraná, o novo complexo deve redesenhar a conexão ferroviária com o porto, trazendo ganhos de produtividade para toda a cadeia de soja, milho, farelos e outros granéis sólidos. Veja as características do Porto de Paranaguá:
| Aspecto | Características |
|---|---|
| Localização | • Litoral do Paraná• Município de Paranaguá |
| Importância | • Um dos maiores portos do Brasil• Referência na exportação de grãos |
| Principais cargas | • Soja e milho• Farelos agrícolas• Açúcar e fertilizantes |
| Infraestrutura | • Terminais públicos e privados• Corredores de exportação integrados |
| Capacidade operacional | • Alta movimentação anual• Operação contínua 24h |
| Acessos logísticos | • Ferrovia• Rodovias federais e estaduais |
| Diferenciais | • Alta eficiência operacional• Reconhecimento em sustentabilidade |
| Gestão | • Administração pública estadual• Modelo portuário organizado |
Como será a modernização do sistema portuário do Paraná?
O Moegão integra um plano mais amplo de expansão do Porto de Paranaguá, hoje o segundo maior exportador de commodities agrícolas do país, atrás apenas do Porto de Santos. Em 2025, a Portos do Paraná concluiu a regularização de todas as áreas arrendáveis, por meio de nove leilões que somaram R$ 5,7 bilhões em novos investimentos privados e R$ 1,1 bilhão em outorgas, além de metas de desempenho e sustentabilidade impostas aos arrendatários.
Outro eixo importante é a conclusão do píer em “T”, que deve adicionar quatro novos berços de atracação. A ampliação do canal de acesso, cuja concessão foi realizada em outubro, permitirá operar navios de maior porte, elevando a capacidade de carga de 78 mil para 125 mil toneladas por embarcação e tornando o porto mais competitivo em rotas internacionais.
Quais são os resultados recentes da estratégia de expansão da Portos do Paraná?
Os números operacionais de 2025 indicam que a estratégia começa a se refletir na movimentação de cargas. Entre janeiro e os primeiros 15 dias de dezembro, os portos de Paranaguá e Antonina registraram 70 milhões de toneladas movimentadas, recorde histórico que superou o desempenho de 2024 com quinze dias de antecedência e ficou cerca de 5% acima do ano anterior.
O Porto de Paranaguá também se destaca em diferentes cadeias do agronegócio: é o maior exportador de carnes do Brasil, com cerca de 40% da exportação nacional, líder no embarque de óleo de soja e segundo maior em soja e farelo. Do lado das importações, recebeu mais de 11 milhões de toneladas de fertilizantes em 2025, consolidando o estado como hub logístico integrado de grãos, proteínas e insumos agrícolas. Veja imagens do andamento das obras divulgadas pelo perfil Portos do Paraná no Instagram:
Qual é o impacto do novo porto de grãos para produtores e para a economia regional?
A ampliação da capacidade de exportação de grãos e farelos impacta diretamente a competitividade da produção paranaense e de estados que utilizam o Corredor de Exportação Leste. Com o Moegão, espera-se menor tempo de espera para descarga de trens, maior previsibilidade de embarques e melhor aproveitamento das janelas de mercado internacional, fatores que influenciam preços, prêmios de exportação e planejamento logístico das safras.
Esse pacote de obras gera efeitos econômicos em cadeia e traz oportunidades adicionais para diferentes segmentos ligados ao agronegócio e à infraestrutura portuária, como mostrado a seguir:
- Geração de empregos diretos e indiretos em construção civil, montagem industrial e operação portuária.
- Demanda crescente por serviços de transporte ferroviário, armazenagem, manutenção e tecnologia da informação.
- Estímulo à instalação de novos operadores e indústrias de processamento próximas ao porto.
- Maior integração entre Paranaguá e Antonina, formando um sistema logístico mais resiliente para escoar safras cheias.
FAQ sobre o novo Moegão, no Porto de Paranaguá
- O Moegão pode beneficiar estados além do Paraná? Sim. O complexo atende todo o Corredor de Exportação Leste, facilitando o escoamento de grãos de estados produtores que utilizam a malha ferroviária conectada a Paranaguá.
- Haverá impacto ambiental ou exigências adicionais de sustentabilidade? O projeto segue normas ambientais e integra metas de desempenho e sustentabilidade, com foco em maior eficiência logística, redução de filas e menor emissão indireta de CO₂ no transporte.
- O Moegão muda a competitividade do Brasil no mercado internacional de grãos? Sim. Ao reduzir custos logísticos e aumentar previsibilidade de embarques, o sistema fortalece a posição do Brasil em mercados globais e melhora o aproveitamento de janelas comerciais.