Nos últimos anos, o debate sobre agrotóxicos no Brasil ganhou força, especialmente em torno da segurança de substâncias amplamente usadas na agricultura. Em 2025, o tema voltou ao centro das discussões após organizações da sociedade civil solicitarem que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) reavaliasse produtos estratégicos para o agronegócio, mas associados a potenciais riscos à saúde e ao meio ambiente, com foco em três ingredientes ativos: glifosato, atrazina e alacloro, todos de grande relevância comercial.
Por que glifosato, atrazina e alacloro concentram tantas controvérsias?
O glifosato é hoje o agrotóxico mais vendido no Brasil, usado em grandes culturas como soja, milho e algodão. Sua reavaliação pela Anvisa voltou à pauta após a revelação de que um estudo publicado em 2000, base para decisões regulatórias em vários países, teve participação não declarada de funcionários da Monsanto, o que lança dúvidas sobre a neutralidade das evidências disponíveis.
No caso da atrazina e do alacloro, a preocupação cresceu em 2025 quando especialistas internacionais passaram a classificá-los como prováveis agentes cancerígenos em humanos. A atrazina segue entre os defensivos mais comercializados, e a combinação de alto consumo com suspeitas de risco reforça o apelo por uma resposta regulatória mais cautelosa e transparente.
O que está em jogo na reavaliação de agrotóxicos pela Anvisa?
A reavaliação de agrotóxicos é prevista na legislação sanitária para revisar, à luz de novas evidências, produtos já liberados. No caso de glifosato, atrazina e alacloro, organizações pedem que a Anvisa reanalise dados toxicológicos e suspenda temporariamente as vendas, defendendo o princípio da precaução diante de incertezas científicas e suspeitas levantadas em 2025.
As entidades também ressaltam a importância da participação social e técnica no processo, com pesquisadores independentes, trabalhadores rurais, movimentos sociais e consumidores acompanhando as etapas. Nessa perspectiva, destacam alguns pontos considerados essenciais para uma revisão robusta e confiável:
- Análise toxicológica atualizada de carcinogenicidade, mutagenicidade e efeitos endócrinos;
- Avaliação de exposições reais em água, alimentos e ambiente de trabalho rural;
- Transparência sobre conflitos de interesse em estudos financiados pela indústria;
- Escuta de diferentes setores, incluindo academia, usuários finais e órgãos de controle.
O consumo de agrotóxicos no Brasil continua aumentando?
Enquanto se discute a reavaliação de substâncias específicas, dados oficiais indicam um cenário de crescimento contínuo no uso de agrotóxicos. Informações recentes do Ibama apontam que, em 2024, o volume total de ingredientes ativos comercializados ultrapassou 900 mil toneladas, alta superior a 20% em relação ao ano anterior, com o glifosato liderando o ranking.
Esses dados, autodeclaratórios pelas empresas, ainda podem ser revisados, mas a tendência de alta é corroborada pelo setor empresarial. Além disso, vários ingredientes mais vendidos no país já estão proibidos na União Europeia, o que expõe diferenças de critérios regulatórios e alimenta questionamentos sobre tributação, incentivos fiscais e padrões de segurança adotados no Brasil.
- Crescimento do volume total de ingredientes ativos vendidos;
- Manutenção do glifosato como substância mais comercializada;
- Presença de moléculas banidas em outros mercados importantes;
- Possíveis distorções tributárias e incentivos fiscais ao setor.
Como o recorde de registros impacta a população brasileira?
Além do aumento nas vendas, o país vem registrando recordes na liberação de novos produtos, com o número de agrotóxicos aprovados em 2025 superando anos anteriores. Esse movimento é associado, por parte do setor, à modernização tecnológica do campo, mas especialistas em saúde pública alertam para o aumento de potenciais fontes de exposição humana e ambiental.
Organizações que monitoram o tema relatam crescimento em notificações de intoxicações, contaminação de cursos d’água e presença de resíduos em alimentos. Esses elementos sustentam a defesa de políticas como o Programa Nacional de Redução de Agrotóxicos (Pronara), que busca incentivar práticas agrícolas menos dependentes de químicos sintéticos e pode ser decisivo para equilibrar produtividade com proteção à saúde e ao meio ambiente.