• Geral
  • Política
  • Economia
  • Entretenimento
  • Esportes
  • Mundo
  • Tecnologia
  • Policial
  • Governo
  • Saúde
  • Educação
  • Justiça
  • Contato
    • Contato
    • Política Privacidade
    • Termos de Uso
sexta-feira, 6 de novembro de 2026
Terra Brasil Notícias
  • Geral
  • Política
  • Economia
  • Entretenimento
  • Esportes
Sem resultado
Veja todos os resultados
  • Conecte-se
  • Geral
  • Política
  • Economia
  • Entretenimento
  • Esportes
Sem resultado
Veja todos os resultados
Terra Brasil Notícias
Sem resultado
Veja todos os resultados
  • Geral
  • Política
  • Economia
  • Entretenimento
  • Esportes
Início Justiça

Iate, aviões e carros de luxo: quem é o banqueiro paraguaio preso após crise financeira

Por Junior Melo
06/nov/2026
Em Justiça
Agencia Paraguay/Wikimedia Commons

Agencia Paraguay/Wikimedia Commons

EnviarEnviarCompartilharCompartilhar

Aos 36 anos, Miguel Vázquez havia transformado os negócios financeiros da família em um dos maiores bancos do Paraguai. Apaixonado por triatlo e automobilismo, o empresário construiu uma trajetória marcada pela expansão acelerada dos negócios e pela ambição de levar uma empresa paraguaia à Bolsa de Valores de Nova York, em Wall Street. O projeto, porém, sofreu uma reviravolta nesta semana: Vázquez foi preso após a intervenção do Banco Central do Paraguai no Ueno Bank, instituição que ajudou a construir e que chegou a atender milhões de clientes.

O empresário passou a ser chamado nas redes sociais brasileiras de “Vorcaro paraguaio”, em referência a Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, envolvido em um escândalo financeiro no Brasil. No Paraguai, Vázquez é investigado por suspeitas de irregularidades em operações financeiras, incluindo empréstimos sem garantias suficientes e movimentações entre empresas relacionadas ao mesmo conglomerado.

A Justiça determinou sua prisão preventiva e autorizou medidas de bloqueio patrimonial contra empresas ligadas ao Grupo Vázquez. As autoridades também apreenderam um iate de luxo, duas aeronaves e nove veículos de alto padrão vinculados ao empresário e a companhias investigadas.

Leia Também

Flávio aparece em nova petição da defesa de Jair Bolsonaro enviada a Moraes

Fachin homologa delação de ex-dono da Reag que pode atingir Vorcaro

Contador preso após sacar R$ 1 milhão é absolvido no DF

A crise do Ueno Bank ultrapassou o sistema financeiro e provocou uma turbulência política no Paraguai. A instituição tinha quase 3 milhões de clientes e administrava mais de US$ 800 milhões em recursos públicos. A intervenção deixou milhões de correntistas sem acesso imediato aos depósitos e provocou protestos pelo país. O episódio também levou à saída do presidente do Banco Central, Carlos Carvallo, e à renúncia anunciada pelo presidente Santiago Peña, que passou a enfrentar um processo de impeachment no Congresso.

De uma financeira familiar a um banco com milhões de clientes

A trajetória de Miguel Vázquez no mundo empresarial começou muito antes da criação do Ueno Bank. Ele pertence à terceira geração de uma família que construiu um conglomerado econômico a partir de atividades comerciais e financeiras no Paraguai.

Seu avô materno, Miguel Jacobo Villasanti, abriu uma oficina mecânica em Assunção, em 1945. O empreendimento cresceu e deu origem à Cóndor, representante da Mercedes-Benz no país. Já seu pai, Víctor Hugo Vázquez, fundou, em 1984, a Credicentro, empresa especializada na concessão de crédito, principalmente para consumidores com dificuldades de acesso aos bancos tradicionais.

Miguel começou a participar dos negócios da família ainda na adolescência, ajudando o pai nas operações da financeira. Com o passar dos anos, assumiu funções de direção e passou a conduzir a expansão das atividades.

Em entrevista concedida em 2024 à agência Bloomberg, o empresário se definiu como um herdeiro que construiu sua trajetória sobre o trabalho das duas gerações anteriores. Vázquez participou de programas executivos nas áreas de finanças, administração e transformação digital no INCAE Business School, na Universidade de Miami e em instituições vinculadas a Harvard. Ele também afirmou que não concluiu uma graduação universitária.

A principal transformação dos negócios familiares ocorreu a partir da Credicentro. A empresa deu origem à estrutura financeira que passou a operar sob a marca Ueno. Em 2023, o empreendimento obteve autorização do Banco Central do Paraguai para atuar como instituição bancária.

No ano seguinte, o Ueno Bank incorporou o tradicional Visión Banco, ampliando sua presença no mercado financeiro e sua carteira de clientes. A instituição apostou principalmente em serviços digitais, cartões, benefícios comerciais e uma ampla rede de atendimento para conquistar consumidores.

A expansão foi acelerada. O banco chegou a alcançar aproximadamente 3 milhões de clientes e administrava bilhões de dólares em depósitos, tornando-se uma das principais instituições financeiras do Paraguai.

Empresário sonhava em criar o primeiro unicórnio do Paraguai

A ascensão do Ueno transformou Miguel Vázquez em uma das figuras de destaque do setor financeiro paraguaio. O empresário defendia publicamente a inovação tecnológica como estratégia para ampliar o acesso da população aos serviços bancários.

Uma de suas maiores ambições era construir o primeiro unicórnio do Paraguai, denominação utilizada para empresas privadas avaliadas em mais de US$ 1 bilhão. Ele também pretendia levar uma companhia paraguaia à Bolsa de Valores de Nova York.

O crescimento do banco acompanhava esse projeto. No início de 2026, o Ueno chegou a ser avaliado em quase US$ 500 milhões. A participação de Vázquez na instituição alcançava um valor estimado de até US$ 375 milhões.

O empresário também acumulava influência em outros setores econômicos. Em abril deste ano, detinha 75,94% do capital do Grupo Vázquez e concentrava 94,02% dos direitos de voto, conforme informações societárias divulgadas pelo conglomerado.

O grupo chegou a reunir 28 empresas, com atividades nas áreas financeira, tecnológica, agropecuária, de seguros, turismo e comércio eletrônico. Em 2025, segundo informações divulgadas à Bloomberg, o conglomerado empregava aproximadamente 6 mil pessoas e registrava receitas superiores a US$ 100 milhões.

A marca Ueno também ganhou visibilidade no esporte, com patrocínios e presença em iniciativas relacionadas ao futebol paraguaio, incluindo o patrocínio à seleção nacional.

Fora do ambiente empresarial, Vázquez cultivava uma imagem de empresário competitivo. Adepto do triatlo, de provas de Ironman e do automobilismo, ele frequentemente associava a velocidade das competições esportivas à maneira como conduzia seus negócios.

Em sua apresentação institucional no site do Ueno Bank, descrevia a paixão pelas corridas, pela competição e pela inovação. “Sou apaixonado por velocidade e por competir”, escreveu, ao mencionar sua participação em provas de rali e triatlo. Afirmou ainda que buscava correr “na velocidade da inovação” em seus empreendimentos.

Iate, aeronaves e carros de luxo entram na mira das autoridades

O patrimônio acumulado pelo empresário passou a ser alvo das autoridades após a crise do Ueno Bank. Nesta sexta-feira (6), a Promotoria e a Polícia Nacional do Paraguai realizaram operações para localizar e apreender bens vinculados a Vázquez e às empresas investigadas.

Entre os itens apreendidos estão um iate da fabricante italiana Azimut Yachts e duas aeronaves, dos modelos Beechcraft King Air 300 e Beechcraft B55. As operações também alcançaram nove veículos de alto padrão, localizados em propriedades relacionadas ao empresário em Assunção e na região de San Juan del Paraná.

Os bens foram encaminhados à Secretaria Nacional de Administração de Bens Incautados e Comissados (Senabico), responsável pela administração de patrimônios apreendidos no país.

De acordo com a investigação do Ministério Público, Vázquez é suspeito de envolvimento em um esquema de operações financeiras irregulares dentro e fora do conglomerado empresarial. As apurações apontam possíveis empréstimos sem garantias suficientes e movimentações entre companhias que teriam administradores, endereços e operadores em comum.

O empresário foi denunciado por suspeitas de conduta indevida em situações de crise, lesão de confiança, tentativa de fraude e descumprimento de obrigações relacionadas à escrituração comercial. As acusações ainda dependem de julgamento.

Relação com o governo de Santiago Peña

A proximidade entre Miguel Vázquez e o presidente Santiago Peña também passou a ser investigada após a crise financeira. Peña manteve investimentos em uma empresa do grupo entre 2019 e 2025, embora não fosse acionista diretamente do Ueno Bank.

Durante o governo, os depósitos de recursos públicos na instituição cresceram expressivamente. O banco recebeu mais de US$ 800 milhões de órgãos estatais, incluindo recursos do Instituto de Previdência Social (IPS), responsável pela administração de valores previdenciários no Paraguai.

A instituição também mantinha uma parceria comercial com a estatal petrolífera Petropar, que oferecia benefícios e descontos aos clientes do banco. Após a intervenção, a companhia apresentou uma denúncia criminal contra responsáveis pela instituição financeira, alegando dificuldades para recuperar recursos depositados.

As relações financeiras e políticas envolvendo o banco passaram a ser questionadas em meio às suspeitas de conflitos de interesses e à atuação dos órgãos responsáveis pela fiscalização do sistema financeiro.

Como começou a crise que levou à prisão do banqueiro

A crise ganhou dimensão nacional em 3 de novembro, quando o Banco Central do Paraguai determinou a intervenção no Ueno Bank e iniciou o procedimento de resolução da instituição. A decisão ocorreu após a identificação de uma deterioração grave dos indicadores financeiros, com o índice de solvência caindo para menos da metade do mínimo exigido pela legislação.

As investigações apontaram operações de crédito de valores elevados para empresas relacionadas ao próprio conglomerado, garantias consideradas insuficientes e problemas na documentação de transações financeiras.

A medida provocou impactos imediatos para os clientes, que encontraram dificuldades para acessar os saldos e movimentar seus recursos. O episódio levou milhares de pessoas às ruas, principalmente em Assunção, para cobrar explicações e a devolução do dinheiro.

Miguel Vázquez foi detido na terça-feira (3). Na quinta-feira (5), o juiz Rodrigo Estigarribia determinou sua prisão preventiva, assim como a de outros dirigentes e ex-integrantes da administração do banco. Ao todo, seis executivos tiveram a prisão preventiva decretada no processo.

A defesa de Vázquez solicitou que ele cumprisse prisão domiciliar com monitoramento eletrônico e apresentou imóveis como garantia. A investigação continua, enquanto as autoridades buscam identificar a extensão das irregularidades e preservar o patrimônio que poderá ser utilizado para eventual ressarcimento dos prejudicados.

O caso também provocou uma crise sem precedentes recentes no cenário político paraguaio. Santiago Peña anunciou sua renúncia na quinta-feira, mas o Congresso não concluiu a aceitação do pedido. A Câmara dos Deputados aprovou a abertura de um processo de impeachment, que passou a ser analisado pelo Senado nesta sexta-feira (6).

Assim, o empresário que pretendia transformar o Ueno em uma companhia bilionária e levar os negócios paraguaios a Wall Street agora está no centro de uma investigação que envolve o sistema financeiro, recursos públicos e integrantes do governo.

EnviarCompartilharTweet93Compartilhar148
ANTERIOR

Imposto do pecado começa a ser cobrado sobre carros em fevereiro de 2027

PRÓXIMO

Flávio aparece em nova petição da defesa de Jair Bolsonaro enviada a Moraes

Please login to join discussion
grupo whatsapp

© 2023 Terra Brasil Notícias

Bem-vindo!

Faça login na conta

Lembrar senha

Retrieve your password

Insira os detalhes para redefinir a senha

Conectar
Sem resultado
Veja todos os resultados
  • Geral
  • Política
  • Economia
  • Entretenimento
  • Esportes
  • Mundo
  • Tecnologia
  • Policial
  • Governo
  • Saúde
  • Educação
  • Justiça
  • Contato
    • Contato
    • Política Privacidade
    • Termos de Uso
  • Conecte-se