Retomada das compras dos Estados Unidos e planos de ampliar a produção doméstica podem diminuir a demanda chinesa pelo grão; projeção aponta queda de até 25% nas importações até 2030.
A relação comercial entre Brasil e China no mercado de soja pode enfrentar mudanças nos próximos anos. Maior fornecedor do grão para o país asiático, o Brasil tem na China seu principal comprador. Essa dependência, porém, pode se tornar um desafio diante dos planos chineses de reduzir as importações e diversificar as fontes de abastecimento.
Especialistas ouvidos pelo g1 apontam três fatores que podem pressionar as exportações brasileiras: a retomada das compras de soja dos Estados Unidos, a estratégia chinesa de ampliar a produção interna e diminuir o consumo do grão e a previsão de redução da população do país asiático.
Após anos de tensões comerciais com os norte-americanos, a China voltou a adquirir soja dos Estados Unidos. O movimento pode aumentar a concorrência pelo mercado chinês e reduzir o espaço ocupado pelo produto brasileiro.
Outra preocupação é a intenção de Pequim de diminuir a dependência de fornecedores estrangeiros. Para isso, o país busca estimular a produção doméstica e reduzir o consumo de soja.
A perspectiva demográfica também pode influenciar a demanda. Com a previsão de diminuição da população chinesa nos próximos anos, o consumo de alimentos ricos em proteínas pode perder força, afetando também a necessidade de soja.
Queda nas importações pode afetar produtores brasileiros
Um estudo citado no levantamento projeta que as importações chinesas de soja podem recuar até 25% até 2030. Caso esse cenário se confirme, os impactos podem alcançar diferentes etapas da cadeia produtiva brasileira.
Relatório da consultoria Systemiq alerta que uma redução da demanda chinesa pode provocar quedas simultâneas nos preços internacionais e nas receitas de exportação. Os efeitos também podem atingir a renda dos produtores rurais, o valor das terras, o emprego no campo e a infraestrutura de processamento.
Setor precisa se preparar para mudanças
Diante das perspectivas, especialistas recomendam que o agronegócio brasileiro evite ampliar excessivamente a área destinada ao cultivo de soja, considerando a possibilidade de redução das compras chinesas.
Outra alternativa é investir no processamento do grão no próprio país, agregando valor à produção em vez de depender exclusivamente da exportação da matéria-prima.
A estratégia busca reduzir a exposição do Brasil às mudanças no mercado chinês e preparar o setor para um cenário de maior concorrência e possível retração da demanda internacional.