Faltam poucos dias para o primeiro dia do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2026, marcado para este domingo (8), e milhões de estudantes entram na reta final de preparação. Com mais de 5 milhões de inscritos, uma das principais preocupações dos candidatos é a redação, etapa que pode ter peso decisivo na nota final.
Embora não seja possível prever o tema escolhido pela banca examinadora, algumas questões em evidência no Brasil podem servir de referência para os estudos. Entre as principais apostas para este ano estão letramento digital, condições de trabalho, regulamentação da inteligência artificial, criminalidade infantojuvenil e crise climática.
As sugestões foram apresentadas ao SBT News por Carolina Siequeroli, gerente sênior de Redação Nota 1000, da Cogna Educação. Segundo a especialista, os estudantes devem concentrar a preparação em questões sociais relacionadas à realidade brasileira, característica recorrente nas propostas do exame.
OS CINCO TEMAS MAIS COTADOS PARA A REDAÇÃO
Entre os assuntos que merecem atenção dos candidatos estão:
- Letramento digital: os desafios para democratizar o acesso à educação digital em um país marcado por desigualdades no ensino e pela necessidade de desenvolver habilidades para utilizar novas tecnologias.
- Esgotamento profissional e jornadas de trabalho dignas: os impactos da chamada uberização, das condições de trabalho e das discussões sobre o fim da escala 6×1 na saúde mental e na qualidade de vida dos trabalhadores.
- Regulamentação da inteligência artificial: os desafios de estabelecer limites éticos e regras para o uso de uma tecnologia que avança rapidamente e transforma diferentes setores da sociedade.
- Criminalidade infantojuvenil: o envolvimento de crianças e adolescentes em atos infracionais, incluindo o aliciamento pelo crime organizado e o crescimento de crimes cibernéticos praticados por menores.
- Crise climática e justiça ambiental: os efeitos de eventos climáticos extremos sobre a população brasileira, especialmente nas regiões mais vulneráveis, e a necessidade de políticas de prevenção e preservação ambiental.
QUESTÕES SOCIAIS E ATUALIDADES PODEM SER IMPORTANTES
De acordo com Carolina Siequeroli, o histórico das últimas edições do Enem demonstra uma tendência de abordar problemas enfrentados por grupos sociais que encontram dificuldades para ter seus direitos garantidos.
Entre os exemplos estão povos originários, população negra, idosos e mulheres. A orientação é que os candidatos estudem as condições desses grupos na sociedade brasileira, considerando desigualdades, desafios históricos e políticas de garantia de direitos.
A especialista também avalia que temas internacionais, como guerras em outros países, são menos prováveis, a menos que apresentem consequências diretas para a população brasileira.
Outro caminho para fortalecer a argumentação é acompanhar acontecimentos recentes e utilizá-los como repertório sociocultural. Entre os exemplos destacados estão:
- Fim da escala 6×1: permite discutir mercado de trabalho, saúde mental e esgotamento profissional.
- Proibição das bets: abre espaço para abordar endividamento, dependência em apostas e impactos sociais e econômicos.
- Enchentes no Rio Grande do Sul: podem fundamentar argumentos sobre migração climática, desastres ambientais e vulnerabilidade social.
- El Niño e ondas de calor: ajudam a contextualizar os efeitos das mudanças climáticas sobre a população.
- Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos: permite discutir exploração ambiental, desenvolvimento econômico e impactos sobre comunidades locais.
- ECA Digital: possibilita abordar proteção de crianças e adolescentes na internet, segurança e responsabilidade das plataformas.
A recomendação final é que os estudantes reforcem os conhecimentos sobre a história do Brasil e os processos de formação da sociedade brasileira, além de acompanhar acontecimentos recentes e compreender seus impactos no país.
Apesar das apostas, não há garantia de que qualquer um dos assuntos esteja na prova. Por isso, o mais importante é treinar a estrutura dissertativo-argumentativa, desenvolver argumentos consistentes e apresentar propostas de intervenção que respeitem os direitos humanos.
