O mercado de trabalho brasileiro criou 121.305 empregos com carteira assinada em setembro de 2026, segundo dados do Novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgados nesta quarta-feira (4) pelo Ministério do Trabalho e Emprego. Apesar do resultado positivo, este foi o pior saldo para o mês desde o início da série histórica do Novo Caged, em 2020.
O número também ficou abaixo das expectativas do mercado financeiro. Pesquisa Projeções Broadcast apontava para a criação líquida de 163,6 mil vagas em setembro. As estimativas dos analistas variavam entre 96.610 e 225 mil postos de trabalho.
O resultado é consequência de 2.214.437 admissões e 2.093.132 desligamentos no período. Em setembro de 2025, o saldo havia sido de 241.609 novas vagas, praticamente o dobro do registrado neste ano.
SERVIÇOS LIDERAM CRIAÇÃO DE VAGAS
Entre os cinco grandes setores da economia, quatro registraram saldo positivo em setembro. O destaque foi o setor de serviços, responsável pela abertura de 81.241 postos de trabalho.
Na sequência aparecem a indústria, com 19.285 vagas; o comércio, com 15.697; e a construção, com 9.468. A agropecuária foi o único setor com resultado negativo, registrando o fechamento de 4.381 postos formais.
PERNAMBUCO FICA ENTRE OS ESTADOS QUE MAIS GERARAM EMPREGOS
O levantamento mostra que 26 das 27 unidades da Federação tiveram saldo positivo na geração de empregos em setembro. São Paulo liderou o ranking, com 19.391 vagas, seguido por Pernambuco, com 13.371, e Alagoas, com 11.110.
Na outra ponta, o Rio Grande do Sul apresentou o pior resultado, com saldo negativo de 2.937 postos de trabalho. Acre, com 235 vagas, e Goiás, com 307, também tiveram resultados modestos.
SALÁRIO MÉDIO DE ADMISSÃO TEM PEQUENA QUEDA
O salário médio real de admissão passou de R$ 2.430,51 em agosto para R$ 2.429,41 em setembro. A redução foi de R$ 1,10, equivalente a 0,05%.
Na comparação com setembro do ano passado, entretanto, houve aumento de R$ 44,90, uma alta de 1,88% em valores reais.
ACUMULADO DE 2026 TAMBÉM ACENDE ALERTA
Entre janeiro e setembro de 2026, o Brasil acumulou a criação de 1.248.914 empregos formais. Apesar do saldo positivo, o número representa uma queda de 27,8% em relação ao mesmo período de 2025, quando foram abertas 1.731.398 vagas.
Este é o menor resultado para os nove primeiros meses do ano desde 2020, quando o país enfrentava os impactos da pandemia de Covid-19 e registrou o fechamento de 775.557 postos formais.
No acumulado de 2026, todos os cinco grandes setores econômicos apresentaram saldo positivo. Serviços lideraram, com 775.774 vagas, seguidos por construção (207.434), indústria (188.563), agropecuária (51.893) e comércio (25.280).
São Paulo também lidera a geração de empregos no acumulado do ano, com 322.551 postos formais. Minas Gerais aparece em segundo lugar, com 129.777, seguido pelo Rio de Janeiro, com 86.489.
Na outra ponta, Rondônia registrou o menor saldo acumulado, com 3.480 vagas, seguido por Roraima (3.814) e Acre (4.573).
Os números mostram que, embora o mercado de trabalho continue gerando empregos formais, o ritmo de contratações perdeu força em comparação com 2025, tanto no resultado mensal quanto no acumulado do ano.