Estiagem já atinge 78 mil famílias em seis departamentos e provocou a perda de mais de 75 mil cabeças de gado; governo também se prepara para possíveis inundações.
O governo da Bolívia decretou estado de emergência para enfrentar os impactos do fenômeno climático conhecido como Super El Niño. A medida busca conter os prejuízos provocados pela seca, que já afeta diversas regiões do país, e preparar as autoridades para possíveis inundações nos próximos meses.
De acordo com um relatório governamental, a estiagem atingiu aproximadamente 78 mil famílias em seis dos nove departamentos bolivianos. O levantamento também aponta a perda de mais de 75 mil cabeças de gado.
O presidente Rodrigo Paz anunciou o decreto neste sábado (31). A medida permitirá ampliar os recursos financeiros e mobilizar equipes de diferentes instituições para atender as regiões afetadas. O chefe do Executivo também pediu a colaboração dos governos regionais e das administrações municipais.
“Vamos dedicar o nosso maior esforço para que esta seca, que já está afetando várias regiões do país, e as inundações posteriores tenham o menor impacto possível”, declarou Paz.
Alerta internacional
As Nações Unidas emitiram um alerta nesta semana sobre a possibilidade de o fenômeno atingir intensidade muito elevada, com potencial para provocar impactos na América Latina, no leste e no sul da África, na Ásia e na região do Pacífico.
A Organização Meteorológica Mundial (OMM) prevê que o El Niño alcance intensidade muito forte até o fim de 2026. Segundo a entidade, existe probabilidade próxima de 100% de que seus efeitos persistam até fevereiro de 2027.
O El Niño ocorre quando as águas superficiais do Pacífico Equatorial apresentam temperaturas acima da média por um período prolongado. Esse aquecimento modifica os padrões de circulação atmosférica e pode provocar alterações climáticas em diferentes partes do mundo, incluindo períodos de seca e chuvas intensas.