O ex-banqueiro Daniel Vorcaro, ex-proprietário do Banco Master, afirmou à Polícia Federal (PF) e à Procuradoria-Geral da República (PGR) que repassou R$ 20 milhões em dinheiro vivo ao ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, durante as eleições municipais de 2024. Segundo o relato, os recursos teriam sido utilizados para financiar campanhas de candidatos a prefeito apoiados pelo Partido Social Democrático (PSD) em Minas Gerais, sem declaração à Justiça Eleitoral.
A informação foi divulgada pelo portal Metrópoles na quarta-feira (28), com base nas declarações apresentadas por Vorcaro durante uma tentativa de negociar um acordo de colaboração premiada com os investigadores.
De acordo com a versão do ex-banqueiro, os valores teriam sido entregues de forma fracionada nas semanas que antecederam a votação municipal. O suposto repasse configuraria caixa dois eleitoral, prática que consiste na utilização de recursos de campanha não declarados à Justiça Eleitoral.
Relato envolve outros R$ 20 milhões
A nova acusação se soma a outro suposto repasse de R$ 20 milhões que Vorcaro afirma ter realizado em 2022, quando Alexandre Silveira disputou uma vaga no Senado por Minas Gerais.
Caso os dois relatos fossem comprovados, os valores atribuídos ao ministro somariam R$ 40 milhões em duas eleições. Segundo as informações divulgadas, as contribuições mencionadas pelo ex-banqueiro não teriam sido declaradas à Justiça Eleitoral.
Vorcaro também afirmou que os recursos destinados às campanhas de 2024 teriam sido disponibilizados pelo pastor Fabiano Zettel, seu cunhado. Para sustentar o relato, o ex-banqueiro apresentou aos investigadores conversas com Zettel sobre saques de dinheiro em espécie e a logística de transporte dos valores.
As mensagens foram apresentadas como elementos que poderiam corroborar a versão de Vorcaro, mas não comprovam, por si só, que o dinheiro tenha sido efetivamente entregue a Alexandre Silveira.
Ministro nega recebimento de recursos ilegais
Procurado pela reportagem do Metrópoles, Alexandre Silveira negou ter recebido recursos de caixa dois de Daniel Vorcaro e classificou as acusações como “maledicência”.
O ministro também contestou a divulgação de informações relacionadas às negociações de colaboração premiada do ex-banqueiro. Em declaração ao veículo, Silveira afirmou que divulgar supostos conteúdos de uma delação que não existe seria uma forma de manipulação deliberada.
Segundo as informações publicadas, as propostas de colaboração apresentadas por Vorcaro foram rejeitadas pela Polícia Federal e pela Procuradoria-Geral da República, que teriam apontado omissões em relação a fatos já conhecidos pelos investigadores.
A rejeição das propostas, entretanto, não comprova nem afasta, por si só, as acusações específicas contra o ministro.
Acusações ainda dependem de comprovação
As declarações atribuídas a Vorcaro colocam Alexandre Silveira no centro de novas suspeitas relacionadas ao financiamento de campanhas eleitorais em Minas Gerais. Até o momento, porém, os relatos divulgados não representam uma comprovação judicial de que os repasses tenham ocorrido.
O ministro nega o recebimento de recursos ilegais, enquanto as informações sobre os supostos pagamentos fazem parte de declarações apresentadas pelo ex-banqueiro no contexto das tentativas de negociar um acordo de colaboração premiada.
