O presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, foi citado pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro como suposto beneficiário de comissões relacionadas à captação de recursos de fundos previdenciários públicos para o Banco Master. Segundo relato atribuído a Vorcaro em uma tentativa de acordo de colaboração premiada, Kassab teria usado sua influência política para estimular administrações municipais ligadas ao partido a investir em letras financeiras da instituição.
As informações foram divulgadas nesta segunda-feira (19) pelo jornalista Thiago Herdy, do Metrópoles. Kassab negou as acusações e classificou o relato como “absolutamente fantasioso”. As declarações atribuídas a Vorcaro não foram comprovadas, e as propostas de delação apresentadas por ele foram rejeitadas pela Polícia Federal (PF) e pela Procuradoria-Geral da República (PGR).
COMO FUNCIONARIA O SUPOSTO ESQUEMA
De acordo com o relato do ex-controlador do Master, o banco teria oferecido comissões a intermediários e agentes públicos em troca da captação de recursos de regimes próprios de previdência social. Parte dos pagamentos, segundo Vorcaro, seria feita em dinheiro vivo.
O ex-banqueiro afirmou que Augusto Lima, seu antigo sócio, atuava como intermediário nos contatos com Kassab. A intenção, conforme a versão apresentada, seria aproveitar a influência política do dirigente sobre prefeituras e governos aliados para ampliar os investimentos na instituição financeira. Essas afirmações ainda dependem de comprovação.
KASSAB NEGA RECEBIMENTO DE DINHEIRO
Em nota, Kassab rejeitou as acusações e negou ter mantido contato com Vorcaro ou autorizado terceiros a negociar em seu nome.
“Trata-se de um relato absolutamente fantasioso, o qual refuto com veemência”, afirmou o presidente do PSD.
O dirigente também negou ter recebido dinheiro em espécie ou feito gestões para direcionar recursos previdenciários ao Master ou a qualquer outra instituição financeira. Segundo ele, as acusações não têm sustentação factual.
FUNDOS PREVIDENCIÁRIOS INVESTIRAM R$ 1,88 BILHÃO
Dados do governo federal citados pelo Metrópoles indicam que 21 regimes próprios de previdência de estados e municípios investiram, juntos, R$ 1,88 bilhão em letras financeiras do Banco Master entre 2023 e 2024.
O maior volume foi aplicado pelo RioPrevidência, responsável pela gestão previdenciária dos servidores do estado do Rio de Janeiro, com R$ 970 milhões. O fundo do Amapá aparece na sequência, com R$ 400 milhões. Também foram registrados investimentos de R$ 97 milhões por Maceió (AL), R$ 93,1 milhões por São Roque (SP) e R$ 87 milhões por Cajamar (SP).
As aplicações passaram a ser examinadas em diferentes investigações da Polícia Federal sobre investimentos de recursos previdenciários no banco. As apurações buscam esclarecer as condições das operações e a eventual participação de intermediários ou agentes públicos.
As letras financeiras não contam com cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), o que significa que os investidores não dispõem dessa garantia para recuperar os valores aplicados em caso de perdas.
MENSAGENS MENCIONAM PEDIDO PARA RETIRAR CRÍTICAS AO BANCO
A reportagem também relata que mensagens encontradas no celular de Vorcaro indicariam que, em outubro de 2024, ele pediu a Augusto Lima que procurasse Kassab para tentar convencer o deputado estadual Luiz Paulo (PSD-RJ) a retirar das redes sociais um vídeo com críticas aos investimentos do RioPrevidência no Master.
Segundo a publicação, o pedido não foi atendido. O episódio é citado como parte do conjunto de informações sobre os contatos entre o ex-banqueiro, seu antigo sócio e o dirigente partidário.
PROPOSTAS DE DELAÇÃO FORAM REJEITADAS
A tentativa de colaboração de Vorcaro não resultou em acordo. A Polícia Federal rejeitou a proposta por considerar inconsistentes as informações apresentadas em relação aos elementos reunidos na investigação. A rejeição não impede, por si só, que novas tratativas sejam consideradas caso sejam apresentados dados relevantes.
A citação de Kassab no relato de Vorcaro, portanto, não representa comprovação de recebimento de comissões ou de participação em irregularidades. O dirigente nega as acusações, e a apuração de eventuais responsabilidades depende da análise das autoridades e de provas que confirmem ou afastem as alegações.
