A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, afirmou na quinta-feira (29) que o governo está avaliando transferir ativos estatais não essenciais para o setor privado ou devolvê-los aos antigos proprietários. Segundo a dirigente, o processo de análise já está em estágio avançado e poderá abrir caminho para novas mudanças na estrutura econômica do país.
Em pronunciamento transmitido pela televisão, Rodríguez declarou que determinou o levantamento dos bens que não são considerados essenciais para o Estado. “Dei instruções para que os bens não essenciais detidos pelo Estado sejam avaliados a fim de determinar quais podem ser oferecidos ao setor privado ou devolvidos aos seus antigos proprietários. Esse processo já está bem avançado”, afirmou.
A iniciativa ocorre em meio a uma série de mudanças econômicas promovidas pelo governo interino desde que assumiu o comando do país, em janeiro, após a captura e prisão de Nicolás Maduro.
Naquele mês, o Legislativo venezuelano aprovou a abertura do setor petrolífero à participação privada, flexibilizando o controle estatal sobre uma das principais atividades econômicas do país. A medida representou uma alteração em relação ao modelo defendido pelo movimento político que governa a Venezuela há mais de duas décadas.
Em agosto, um acordo entre Estados Unidos e Venezuela também permitiu que empresas americanas passassem a operar campos de petróleo venezuelanos. Antes disso, sob pressão de Washington, Rodríguez já havia promovido reformas nos setores de petróleo e mineração para ampliar a participação do capital privado, especialmente estrangeiro.
A possível transferência de outros ativos estatais representa mais um passo nesse processo de revisão do papel do Estado na economia venezuelana. Ainda não foram divulgados quais bens poderão ser oferecidos ao setor privado nem quais poderão retornar aos antigos proprietários.
