A Bolsa brasileira acionou o mecanismo de circuit breaker nesta segunda-feira (26), após fortes perdas nos mercados financeiros na sequência da reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A interrupção das negociações ocorreu pela primeira vez desde 2020, segundo informações da Folha de S.Paulo.
O circuit breaker é um mecanismo utilizado pela B3 para suspender temporariamente as operações em momentos de quedas acentuadas do Ibovespa. A medida busca conter movimentos bruscos e permitir que o mercado assimile as informações antes da retomada das negociações.
Pelas regras do mecanismo, uma queda de 10% em relação ao fechamento anterior provoca a suspensão das operações por 30 minutos. Se, após a retomada, o recuo atingir 15%, a interrupção pode durar uma hora. Em caso de queda de 20%, a B3 pode suspender novamente as negociações por um período a ser definido pela própria Bolsa.
Dólar dispara e risco-Brasil sobe
A turbulência também atingiu o mercado cambial e os contratos de juros futuros. Por volta das 10h20, o dólar avançava 12,04%, cotado a R$ 5,597. No mesmo período, as taxas dos contratos de DI subiam até 260 pontos-base.
O risco-Brasil, indicador utilizado para avaliar a percepção dos investidores sobre o risco de crédito do país, registrava alta de 27% às 10h34. A elevação indica aumento da percepção de risco e pode encarecer a captação de recursos brasileiros no exterior.
Mercado reverte ganhos após o primeiro turno
A forte queda desta segunda-feira reverteu parte dos ganhos registrados após o primeiro turno das eleições. Na ocasião, Flávio Bolsonaro (PL) terminou à frente, com 47,03% dos votos válidos, enquanto Lula obteve 45,16%.
No pregão seguinte à primeira votação, o Ibovespa avançou 7,70%, aos 206.911 pontos, alcançando um recorde nominal e real, conforme os dados citados pela reportagem. O dólar recuou 4,11%, fechando a R$ 5,001, na maior queda diária desde 2018.
Desde a confirmação das candidaturas de Lula e Flávio Bolsonaro, em agosto, a Bolsa acumulava valorização de 15,3%.
O desempenho positivo dos ativos após o primeiro turno refletia, segundo a análise apresentada pela reportagem, as expectativas de parte do mercado em relação a uma possível vitória de Flávio Bolsonaro e à adoção de medidas mais rigorosas de ajuste fiscal. A continuidade do governo Lula, por sua vez, aumentou as preocupações de investidores com a trajetória das contas públicas.
Gestores já previam reação negativa
Uma pesquisa do Citibank com 73 gestores de fundos de ações e multimercado indicava que a maioria esperava uma reação negativa dos ativos caso Lula vencesse a eleição.
Segundo o levantamento, 80% dos entrevistados previam uma queda superior a 5% do Ibovespa nesta segunda-feira. Outros 7% projetavam recuo entre 1% e 5%, enquanto 3% esperavam uma valorização nessa mesma faixa positiva.
No mercado de câmbio, 63% dos gestores esperavam uma desvalorização superior a 5% do real, e 28% estimavam uma queda entre 2% e 5%. Já 6% projetavam valorização superior a 5% da moeda brasileira.
Os números refletem as expectativas dos gestores consultados e não representam, por si só, uma explicação definitiva para os movimentos do mercado financeiro.
