A reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) provocou forte turbulência no mercado financeiro nesta segunda-feira (26), com queda acentuada da Bolsa brasileira e disparada do dólar. Diante das perdas, a B3 acionou o circuit breaker, mecanismo que interrompe temporariamente as negociações em períodos de forte desvalorização.
Segundo informações divulgadas pelo G1 nesta segunda-feira (26), a suspensão ocorreu no início do pregão e teve duração prevista de 30 minutos. Segundo a B3, a interrupção atingiu operações com ações, fundos de índice (ETFs) e outros ativos abrangidos pelo mecanismo. A retomada estava prevista para ocorrer por meio de um leilão entre 10h30 e 10h35.
O episódio marcou o primeiro acionamento do mecanismo desde março de 2020, quando a pandemia de Covid-19 provocou fortes oscilações nos mercados financeiros.
O que é o circuit breaker?
O circuit breaker é um dispositivo de segurança utilizado pela Bolsa para interromper temporariamente as negociações quando o Ibovespa, principal índice do mercado acionário brasileiro, registra uma queda acentuada.
O objetivo é dar aos investidores tempo para reavaliar suas decisões e reduzir o risco de movimentos desordenados no mercado. Após a pausa, as operações podem ser retomadas conforme as regras estabelecidas pela B3.
Quando a Bolsa para por 30 minutos?
A primeira interrupção ocorre quando o Ibovespa registra queda de 10% em relação ao fechamento do pregão anterior. Nesse caso, as negociações abrangidas pelo mecanismo ficam suspensas por 30 minutos.
Quando a suspensão dura uma hora?
Se, após a retomada das operações, o Ibovespa atingir uma queda de 15% em relação ao fechamento anterior, a Bolsa poderá suspender novamente as negociações, desta vez por uma hora.
A Bolsa pode suspender as negociações por mais tempo?
Sim. Caso o índice alcance uma queda de 20% em relação ao fechamento anterior, após as interrupções previstas nas etapas anteriores, a B3 poderá determinar uma nova suspensão. Nesse cenário, a própria Bolsa define a duração da paralisação e comunica a decisão ao mercado.
O mecanismo pode ser acionado no fim do pregão?
Há restrições para a aplicação do mecanismo nos minutos finais do pregão. Se a interrupção ocorrer na penúltima meia hora, o horário de negociação poderá ser prorrogado em até 30 minutos, para assegurar um período de operações após a reabertura.
Quando o circuit breaker foi acionado anteriormente?
Criado em 1997, o mecanismo já foi utilizado em diferentes períodos de instabilidade econômica e financeira. Entre os principais episódios estão:
- 1997: durante a crise financeira asiática, a Bolsa brasileira registrou fortes quedas e acionou o mecanismo pela primeira vez em 28 de outubro.
- 1998: em meio à crise financeira russa, o circuit breaker foi acionado cinco vezes.
- 1999: a instabilidade provocada pela mudança na política cambial brasileira também levou à interrupção das negociações.
- 2008: durante a crise financeira internacional, o mecanismo foi acionado diversas vezes, diante das perdas nos mercados globais.
- 2017: em 18 de maio, as negociações foram interrompidas após uma queda superior a 10% do Ibovespa, em meio à repercussão das denúncias contra o então presidente Michel Temer.
- 2020: no início da pandemia de Covid-19, o mecanismo foi acionado seis vezes em março, em meio à forte volatilidade nos mercados internacionais.
Em setembro de 2001, após os ataques terroristas nos Estados Unidos, a Bovespa também encerrou as negociações antes do horário habitual. Na ocasião, porém, a decisão ocorreu sem o acionamento formal do circuit breaker.
O mecanismo funciona, portanto, como uma ferramenta para conter temporariamente movimentos extremos no mercado acionário. Sua utilização não determina, por si só, a direção futura dos preços nem representa uma avaliação definitiva sobre a economia brasileira.
