Presidente dos Estados Unidos ainda não parabenizou o petista; Javier Milei também não se manifestou, enquanto aliados políticos de Lula celebram resultado das urnas
A reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), confirmada neste domingo (25), provocou uma série de manifestações internacionais. Presidentes e autoridades de diferentes países cumprimentaram o brasileiro, mas duas ausências chamam a atenção: Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, e Javier Milei, presidente da Argentina.
Até a manhã desta segunda-feira (26), nenhum dos dois havia divulgado mensagem pública de congratulações ao petista, segundo o levantamento das manifestações internacionais.
Lula foi reeleito com 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% de Flávio Bolsonaro (PL), em uma das disputas presidenciais mais acirradas da história recente do Brasil.
Governos de esquerda comemoram resultado
Entre os primeiros líderes a celebrar a vitória de Lula estão a presidente do México, Claudia Sheinbaum, e o presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, ambos identificados com a esquerda latino-americana.
O presidente uruguaio Yamandú Orsi, também de esquerda, telefonou para cumprimentar Lula e destacou a importância do processo eleitoral brasileiro.
Além dos governantes, figuras históricas da esquerda regional, como Evo Morales, da Bolívia, Gabriel Boric, do Chile, e Cristina Kirchner, da Argentina, manifestaram satisfação com o resultado.
As comemorações evidenciam a identificação política de parte da esquerda latino-americana com o projeto liderado pelo Partido dos Trabalhadores.
Entretanto, as congratulações não ficaram restritas a esse campo ideológico.
Presidentes de direita também reconheceram a vitória
O presidente chileno José Antonio Kast, identificado com a direita conservadora, telefonou para Lula e defendeu a continuidade da cooperação econômica e do combate ao crime organizado.
A presidente peruana Keiko Fujimori, o presidente paraguaio Santiago Peña e o equatoriano Daniel Noboa também cumprimentaram o brasileiro.
As manifestações demonstram que o reconhecimento do resultado ultrapassou as divisões ideológicas. Mesmo governantes com posições políticas diferentes das defendidas pelo PT sinalizaram disposição para preservar as relações diplomáticas e comerciais com o Brasil.
Silêncio de Trump chama a atenção
O fato politicamente mais relevante até o momento é a ausência de manifestação pública do presidente dos Estados Unidos.
Donald Trump declarou, ainda durante a votação de domingo, que acompanhava o processo eleitoral brasileiro, mas evitou manifestar preferência por qualquer candidato.
Questionado sobre a disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro, o republicano afirmou que estava monitorando a eleição.
Apesar disso, até a manhã desta segunda-feira, não havia sido identificada uma mensagem pública de congratulações do presidente americano ao vencedor.
O silêncio ganha relevância pelo peso dos Estados Unidos nas relações comerciais, econômicas e diplomáticas brasileiras.
Entretanto, a ausência de uma manifestação imediata não significa, por si só, contestação do resultado eleitoral ou recusa de reconhecimento diplomático.
Milei também não parabenizou Lula
Na América do Sul, o silêncio do presidente argentino Javier Milei também chama a atenção.
Aliado político de Flávio Bolsonaro e crítico frequente do governo petista, Milei não havia divulgado mensagem pública cumprimentando Lula até o início desta segunda-feira.
A postura contrasta com a de outros presidentes sul-americanos de direita, que optaram por reconhecer rapidamente o resultado e defender a continuidade das relações bilaterais.
Brasil e Argentina são parceiros fundamentais no Mercosul, o que torna a relação entre os dois governos especialmente relevante, independentemente das diferenças ideológicas.
Resultado eleitoral abre novo capítulo diplomático
A repercussão internacional da eleição brasileira revela dois movimentos distintos.
De um lado, governos de esquerda e antigos aliados políticos de Lula comemoram sua permanência no poder. De outro, presidentes conservadores e de centro-direita reconhecem o resultado e demonstram disposição para manter relações institucionais com Brasília.
Nesse cenário, os posicionamentos de Trump e Milei permanecem entre os mais aguardados.
O silêncio de Washington, sobretudo, deve continuar despertando atenção nos meios políticos e diplomáticos brasileiros.
A principal questão agora não é apenas quando os Estados Unidos se manifestarão, mas como será conduzida a relação entre Donald Trump e Lula durante o próximo mandato presidencial.
Até o momento, o silêncio americano é um fato. Qualquer interpretação de que represente rejeição ao resultado das urnas é especulação.
