A reunião realizada na terça-feira (6) entre o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e integrantes da cúpula da Polícia Federal repercutiu entre delegados da corporação. O encontro, que não foi registrado na agenda pública do ministro, contou com a participação do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, além dos diretores de Inteligência, Leandro Almada da Costa, e de Investigação e Combate ao Crime Organizado e à Corrupção, Dennis Cali. A reunião foi revelada pelo Poder360.
Diante da repercussão, o presidente da Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (ADPF), Edvandir Paiva, afirmou que a instituição deve demonstrar, tanto em seus discursos quanto em suas ações, neutralidade e isenção político-partidária durante o período eleitoral.
“A ADPF espera uma postura estritamente republicana, técnica e isenta da Polícia Federal durante todo este período eleitoral. Estamos falando de uma instituição de Estado, com 82 anos, que jamais pode deixar que prospere qualquer tipo de dúvida sobre sua atuação”, afirmou Paiva.
Segundo o presidente da entidade, a defesa da autonomia da Polícia Federal deve permanecer como prioridade. “A nossa luta permanente é por uma Polícia Federal de Estado, com autonomia real para cumprir seu papel constitucional, sem lado, ideologia ou partido”, declarou.
A manifestação ocorre em meio a uma sequência de episódios envolvendo integrantes da PF e ministros do STF. Em setembro, o ministro André Mendonça havia determinado o afastamento preventivo de Andrei Rodrigues e de Leandro Almada, em uma investigação relacionada à produção de relatórios de inteligência sobre sua atuação. Posteriormente, os dois foram reintegrados à corporação.
O próprio Andrei Rodrigues já declarou publicamente que a Polícia Federal atua de forma “imparcial e sem viés político”. Em agosto, durante uma cerimônia de formatura de novos policiais federais, o diretor-geral afirmou que a atuação técnica e livre de viés político é necessária para preservar a instituição.
A reunião com Moraes ocorreu enquanto permanecem em andamento discussões sobre a atuação da PF em investigações que envolvem integrantes do STF. Em ofício enviado à corporação em 2 de outubro, o presidente do Supremo, Edson Fachin, defendeu que eventual envolvimento de ministros da Corte no caso Banco Master seja apurado “sem exceção de pessoa” e marcou uma reunião com Andrei Rodrigues para tratar do assunto em 13 de outubro.
Até o momento, não foram divulgados detalhes sobre a pauta da reunião entre Moraes e os integrantes da direção da Polícia Federal.
