Publicações antigas atribuídas à deputada federal eleita Ana Elisa (PT-MG) provocaram desconforto entre integrantes da coordenação da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno das eleições presidenciais. Segundo reportagem do Metrópoles, dirigentes petistas temem que a repercussão das mensagens sobre igrejas evangélicas, aborto e restrições às redes sociais prejudique a imagem do presidente durante a disputa contra o senador Flávio Bolsonaro (PL).
Ana Elisa, de 21 anos, passou a colaborar com a estratégia digital da campanha de Lula após se destacar nas eleições de 2026. Com forte presença nas redes sociais, a parlamentar eleita foi convocada para contribuir com a comunicação do presidente durante o segundo turno.
De acordo com a reportagem, integrantes da campanha demonstraram preocupação com a circulação de mensagens antigas atribuídas à petista, que passaram a ser divulgadas por políticos da oposição. Entre os conteúdos compartilhados estão supostas declarações favoráveis ao fechamento de igrejas evangélicas, à ampliação do acesso ao aborto após a 22ª semana de gestação e a medidas de restrição nas redes sociais.
ANA ELISA NEGA PUBLICAÇÃO SOBRE FECHAMENTO DE IGREJAS
A parlamentar contestou especificamente uma publicação divulgada pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), que a associava à defesa do fechamento de igrejas. Ana Elisa afirma que o conteúdo é falso e informou que pretende acionar a Justiça Eleitoral e o Ministério Público para solicitar uma perícia. Sua assessoria também declarou que ela se retrata de outras publicações antigas, mas mantém posição favorável à liberdade religiosa.
O episódio levou aliados de Lula a reforçarem publicamente que o presidente não defende o fechamento de templos religiosos. O vereador Pedro Rousseff (PT-MG), também eleito deputado federal, publicou uma mensagem negando que ele ou Lula apoiem esse tipo de medida e pediu que os apoiadores concentrem esforços na conquista de votos.
DEPUTADA DENUNCIA AMEAÇAS E SUSPENDE PERFIL
Em meio à repercussão, Ana Elisa suspendeu temporariamente sua conta na rede social X, antigo Twitter. A parlamentar afirma ter recebido uma série de ameaças de morte e de violência sexual, além de mensagens com ataques racistas e machistas. Segundo a Agência Brasil, ela também relatou a exposição de dados pessoais, incluindo endereço residencial e número de telefone, e denunciou as intimidações às autoridades.
A petista negou que a suspensão das contas tenha ocorrido a pedido da coordenação da campanha de Lula. Segundo ela, a medida foi adotada para organizar e encaminhar as mensagens de ameaça às autoridades responsáveis pela investigação.
O caso reúne duas questões distintas: a repercussão política de publicações atribuídas à deputada eleita e as ameaças que ela afirma estar recebendo. Enquanto a oposição utiliza o episódio para criticar a atuação da petista na campanha, Ana Elisa contesta parte do conteúdo divulgado e pede apuração sobre as mensagens e os ataques.
