Partido avalia que presidente da Câmara tem votos suficientes para permanecer no cargo e pretende fortalecer a disputa por espaço na direção do Senado, com Rogério Marinho como indicado.
O PL deve apoiar a reeleição de Hugo Motta (Republicanos-PB) à presidência da Câmara dos Deputados, mas pretende concentrar suas articulações na disputa pelo comando do Senado. A legenda defende o nome do senador Rogério Marinho (PL-RN) para a presidência da outra Casa legislativa.
A estratégia busca garantir participação do partido na divisão de espaços políticos do Congresso, evitando isolamento nas negociações e possíveis perdas de influência na composição das comissões parlamentares.
Antes de considerar um acordo com Hugo Motta, o PL chegou a avaliar o lançamento de uma candidatura própria à presidência da Câmara. Entre os nomes discutidos estavam o líder da bancada, Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), e o atual vice-presidente da Casa, Altineu Côrtes (PL-RJ).
A possibilidade perdeu força diante da avaliação de que Motta já possui uma base ampla de apoio para conquistar um novo mandato. Segundo as articulações políticas, o parlamentar reúne o respaldo de 15 partidos, incluindo o PT, que declarou oficialmente apoio à sua recondução.
Resistência dentro do PL e pressão do PT
Apesar da tendência de acordo, a aproximação com Hugo Motta enfrenta resistência de setores mais radicais do PL. Parte da bancada questiona a relação do presidente da Câmara com o governo Lula e demonstra insatisfação com a possibilidade de apoiar um nome considerado próximo ao Palácio do Planalto.
Motta, por sua vez, tem sinalizado a interlocutores da esquerda que está disposto a ouvir as reivindicações do PL, mas que o PT terá prioridade nas negociações, conforme relatos de deputados.
A posição também provoca tensão entre os partidos. Petistas ameaçam deixar o bloco de apoio a Hugo Motta caso ele avance em um acordo político com o PL, legenda ligada ao grupo do senador Flávio Bolsonaro.
Com isso, a disputa pela presidência das duas Casas legislativas passa a envolver uma negociação mais ampla por espaços de poder e influência no Congresso Nacional.