O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou nesta quarta-feira (7) ter “alguma dificuldade em entender essa euforia” do mercado financeiro após o primeiro turno das eleições. A declaração foi feita durante participação por videoconferência no 9º Incorpora Abrainc, evento da Associação Brasileira das Incorporadoras Imobiliárias.
Segundo informações divulgadas pela Folha de S. Paulo nesta quarta-feira (07), a reação positiva dos mercados ocorreu após o resultado do primeiro turno, com valorização da Bolsa, queda do dólar e recuo dos juros futuros. O movimento foi associado por agentes financeiros à possibilidade de mudança na condução da política econômica.
Durigan, porém, questionou se o otimismo estaria respaldado por propostas econômicas concretas da oposição. Sem citar Flávio Bolsonaro diretamente em alguns momentos, o ministro criticou a promessa de alcançar um superávit primário de 1,5% do PIB e afirmou que não foram apresentados detalhes suficientes sobre como a meta seria atingida.
“A direita fala em superávit de 1,5% do PIB, e isso não é crível, compra quem quer”, afirmou. Em outro momento, classificou como “pastel de vento” uma promessa de resultado econômico sem indicação clara dos meios para alcançá-lo.
Ministro defende arcabouço fiscal
Durigan também defendeu a manutenção e o reforço do atual arcabouço fiscal. Segundo ele, a regra precisa garantir que o crescimento das despesas fique abaixo da expansão das receitas, contribuindo para a estabilização da dívida pública.
Na avaliação do ministro, a previsibilidade das regras fiscais é necessária para melhorar as expectativas e criar condições para uma redução estrutural dos juros.
Durigan reconheceu que o quadro fiscal e a taxa de juros continuam entre os principais desafios da economia brasileira. Ele afirmou que o país precisa avançar nessas duas áreas para criar um ambiente mais favorável aos investimentos e ao crescimento.
Ao comparar os governos Lula e Jair Bolsonaro, o ministro também defendeu a política fiscal da atual administração e criticou a gestão anterior por, segundo sua avaliação, ter ampliado despesas sem apresentar fontes de compensação.
Reforma tributária e construção civil
Durante o evento, Durigan citou a reforma tributária como uma das medidas capazes de aumentar a produtividade brasileira. Para ele, a mudança no sistema de impostos representa um avanço estrutural para a economia.
O ministro também falou diretamente aos empresários do setor imobiliário e da construção civil. Segundo Durigan, uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro poderia representar um “desastre” para o setor, avaliação apresentada durante sua participação no evento.
Ele defendeu a atuação conjunta do Estado e da iniciativa privada em políticas habitacionais e mecanismos de financiamento, incluindo instrumentos relacionados ao FGTS.
Na avaliação de Durigan, a expansão do crédito e o enfrentamento do déficit habitacional dependem dessa coordenação. A redução dos juros também foi apontada como um dos fatores necessários para melhorar as condições de investimento no setor.
Durigan afirmou ainda que o Brasil precisa enfrentar a “milha final” da agenda econômica, especialmente nas áreas fiscal e monetária, para criar condições mais favoráveis ao crescimento.
