A primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja, passou a ser alvo de críticas de integrantes da ala jovem do PT após uma reunião entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e jovens lideranças do partido, realizada na manhã de quarta-feira (7), no Palácio da Alvorada, em Brasília.
Segundo relatos de integrantes do PT ouvidos pela coluna, Janja teria tentado evitar que Lula participasse do encontro. A articulação, porém, não teria avançado, e o presidente esteve presente na conversa.
De acordo com os relatos, algumas das medidas adotadas por Lula nas horas seguintes para tentar ampliar o diálogo com o eleitorado surgiram a partir das sugestões apresentadas pelos jovens petistas.
Entre as ideias atribuídas ao grupo está a frase “para o povo trabalhador, a proteção; para o bandido, a prisão”, posteriormente utilizada por Lula durante uma reunião com a bancada do PT no Congresso, na tarde do mesmo dia.
Assessoria de Janja nega tentativa de impedir encontro
Ainda segundo integrantes do partido, Janja teria chegado à reunião com as lideranças jovens com semblante fechado e permanecido em silêncio durante parte do encontro.
A assessoria da primeira-dama negou, porém, que Janja tenha sido contrária à realização da reunião no Palácio da Alvorada. A equipe também ressaltou que ela participou posteriormente do encontro de Lula com a bancada do PT.
Em nota, a assessoria afirmou que, “independente do que falem, Janja seguirá na campanha” e que sua participação é “legítima e sempre respaldada pelo presidente Lula”.
Participação na campanha gera reclamações internas
A atuação de Janja na campanha também vem provocando críticas dentro do próprio PT. Segundo integrantes do partido, existe uma avaliação de que a primeira-dama teria conquistado espaço excessivo em decisões relacionadas à campanha eleitoral.
Entre os pontos citados estão a definição de pessoas que participaram dos palanques ao lado de Lula durante os atos do primeiro turno e o espaço destinado à primeira-dama na propaganda eleitoral.
No primeiro programa de televisão da campanha, Janja apareceu por cerca de 20 segundos, tempo semelhante ao reservado ao vice-presidente Geraldo Alckmin. Já no terceiro programa, dedicado às mulheres, ela participou de um vídeo individual sobre violência de gênero e pediu votos para Lula.
As opiniões da primeira-dama sobre a estratégia eleitoral também teriam gerado insatisfação entre integrantes da legenda. Um petista, sob condição de anonimato, resumiu à coluna a reclamação sobre a participação de Janja na campanha: “A gente acorda todos os dias torcendo para a Janja palpitar menos”.
Apesar das críticas internas, a assessoria da primeira-dama afirma que Janja continuará participando da campanha de Lula e que sua presença nos atos conta com o respaldo do presidente.
