A Justiça de São Paulo rejeitou o pedido do advogado Willer Tomaz, apontado como amigo do senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL), para recuperar R$ 133,2 milhões que afirma ter perdido em apostas na plataforma Blaze.
Na decisão, o juiz Guilherme Madeira Dezem, da 44ª Vara Cível do Tribunal de Justiça de São Paulo, considerou que o advogado assumiu voluntariamente os riscos das apostas e solicitou condições especiais para movimentar valores elevados.
Apostas chegavam a R$ 500 mil por rodada
Segundo o magistrado, Tomaz pediu a criação de mesas exclusivas de blackjack e solicitou aumentos sucessivos nos limites de apostas, que chegaram a R$ 500 mil por rodada.
A decisão destacou que o advogado procurou pessoalmente essas condições especiais, o que, na avaliação do juiz, enfraqueceu o argumento de que a plataforma deveria ser responsabilizada integralmente pelas perdas.
Defesa alegou ludopatia
A defesa de Tomaz sustentou que ele sofre de ludopatia, transtorno associado à dificuldade de controlar o impulso de apostar. Também alegou que a Blaze teria permitido apostas de alto valor mesmo após ter sido informada sobre o diagnóstico.
O magistrado, contudo, entendeu que o próprio apostador contribuiu para os prejuízos e rejeitou o pedido de ressarcimento. Também negou a solicitação de R$ 500 mil por danos morais, o bloqueio de bens da empresa e a tramitação do processo em segredo de Justiça.
Apesar disso, a decisão determinou que a Blaze interrompa o envio de publicidade, promoções, bônus e contatos comerciais direcionados ao advogado. Caso a ordem seja descumprida, poderá ser aplicada multa de R$ 1 mil por ocorrência comprovada.
Investigação sobre movimentações bilionárias
Uma investigação da Polícia Federal aponta que Tomaz movimentou valores bilionários em apostas. A informação acrescenta contexto ao caso, mas não altera, por si só, os fundamentos apresentados na decisão judicial sobre o pedido de ressarcimento.