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Início Brasil

Jornalista brasileiro crítico de Milei é impedido de entrar na Argentina e recebe veto de cinco anos

Por Junior Melo
13/out/2026
Em Brasil, Mundo
Lula e Rogério Tomaz Jr. Foto: Reprodução Instagram

Lula e Rogério Tomaz Jr. Foto: Reprodução Instagram

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O jornalista brasileiro Rogério Tomaz Jr., conhecido por suas críticas ao presidente da Argentina, Javier Milei, foi impedido de entrar no país nesta segunda-feira (12), após desembarcar no aeroporto Aeroparque, em Buenos Aires. Além de cancelar sua residência permanente, as autoridades migratórias determinaram que ele não poderá retornar à Argentina pelos próximos cinco anos.

Tomaz suspeita que a decisão tenha motivação política, devido a conflitos recentes nas redes sociais com apoiadores e integrantes do governo argentino. Até o momento, porém, não há comprovação de que a medida tenha sido adotada em represália às manifestações do jornalista.

Segundo informações divulgadas pela Agência Brasil nesta segunda-feira (12), em um áudio enviado a contatos pelo WhatsApp, ele confirmou que assinou os documentos relacionados à decisão e informou que aguardava o voo de volta ao Brasil. O jornalista afirmou que recebeu tratamento cordial das funcionárias responsáveis pelo procedimento e ressaltou que não cometeu nenhum delito.

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“Se trata realmente de uma questão política”, declarou.

Governo argentino alegou descumprimento de regras migratórias

Segundo documentos da Direção Nacional de Migrações (DNM) compartilhados pelo jornalista, o cancelamento da residência foi fundamentado em um decreto de 2025, que prevê a revogação da autorização em caso de descumprimento das condições estabelecidas para sua concessão.

Tomaz obteve residência permanente na Argentina em janeiro de 2022. De acordo com seu relato, o documento tinha validade até 2037, mas as autoridades argumentaram que ele não permaneceu tempo suficiente no território argentino para conservar o benefício.

O jornalista contesta essa justificativa. Ele afirma que continuou viajando ao país e que, somente em 2026, permaneceu em território argentino durante 36 dias.

Tomaz também relatou à Agência Brasil que costuma receber comunicações do governo argentino, mas não foi informado previamente sobre a revogação de sua residência. Segundo ele, o cancelamento foi formalizado em 5 de agosto, uma semana depois de sua saída do país, durante um período de desentendimentos com apoiadores e funcionários ligados ao governo Milei.

O brasileiro afirmou que pode recorrer da decisão, embora avalie que dificilmente conseguirá recuperar a residência permanente.

Jornalista relata conflitos com integrantes do governo Milei

A suspeita de motivação política está relacionada, segundo Tomaz, a discussões travadas nas redes sociais entre julho e agosto. Entre os nomes citados por ele está Juan Pablo Carreira, conhecido como Juan Doe, diretor de Comunicação Digital da Presidência argentina.

O jornalista afirmou que os atritos começaram após manifestações de Carreira e de outras pessoas ligadas ao ambiente digital favorável ao governo. Ele também relatou ter criticado um canal de streaming que, em sua avaliação, funciona como instrumento de comunicação política da administração Milei.

Em mensagem de áudio, Tomaz associou o episódio migratório ao que considera um avanço do autoritarismo no país.

“A Argentina, que a gente no Brasil todo mundo sabe da derrocada socioeconômica, crise, recessão, fechamento de empresas, destruição de empregos, também está junto no pacote da extrema direita a derrocada civil, a escalada autoritária”, declarou.

O governo argentino também editou, neste ano, outro decreto que prevê a proibição de entrada e a expulsão de estrangeiros que tenham “dirigido mensagens de ódio ou incitado a violência contra o povo argentino ou seus cidadãos”. No entanto, as informações apresentadas sobre o caso de Tomaz não comprovam que essa norma tenha sido utilizada para justificar a decisão contra ele.

Brasileiro prepara livro sobre a gestão de Milei

Jornalista radicado em Brasília, Rogério Tomaz Jr. já trabalhou como assessor parlamentar na Câmara dos Deputados e acompanha a política argentina, com produção de conteúdos sobre os efeitos econômicos e sociais das medidas adotadas pelo governo Milei.

Entre os temas abordados por ele estão os cortes nos gastos públicos, as privatizações e a inflação. O brasileiro também prepara um livro sobre a gestão do presidente argentino, com previsão de publicação em fevereiro de 2027.

Tomaz afirmou que sua viagem mais recente à Argentina tinha como objetivo registrar imagens sobre a situação do país.

“Vim para registrar imagens que mostrem ao Brasil e ao mundo a crítica situação econômica do país e a escalada autoritária deste governo de extrema direita”, escreveu em uma mensagem enviada a contatos brasileiros.

Após ser impedido de entrar no território argentino, o jornalista embarcou de volta ao Brasil. Depois de chegar a Guarulhos, seguiria para Brasília, onde mora.

Entidades de jornalistas repudiam decisão

O Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Distrito Federal (SJPDF) e a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) divulgaram uma nota de repúdio à deportação e manifestaram solidariedade a Tomaz.

“A democracia argentina e a brasileira merecem respeito. Nenhum governo tem o direito de perseguir, deter ou expulsar jornalistas pelo simples exercício de sua profissão”, afirma o texto.

As entidades criticaram a medida e defenderam o respeito ao trabalho jornalístico.

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