O empresário Léo Slezynger, ligado à petroquímica Unigel, convidou Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho mais velho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), para integrar o conselho de uma organização não governamental ambiental criada por ele. A iniciativa teria sido articulada a pedido da lobista Roberta Luchsinger, que se apresentava como sócia de Lulinha, com o objetivo de captar recursos destinados ao Fundo Amazônia.
Segundo informações reveladas pela colunista Malu Gaspar, do jornal O Globo, as conversas entre Luchsinger e Slezynger avançaram e a negociação foi concluída, com a indicação de Lulinha para o cargo de conselheiro da entidade. A lobista teria classificado a proposta como um “toma lá, dá cá”.
As tratativas ocorreram em meio à expectativa de entrada de recursos internacionais para iniciativas ambientais no Brasil. Em 20 de abril de 2023, Luchsinger encaminhou a Slezynger uma notícia sobre o anúncio do então presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, de que o país buscaria destinar US$ 500 milhões ao Fundo Amazônia ao longo de cinco anos.
Nas mensagens, a lobista pressionou o empresário a avançar com a criação do fundo. “Olha isso”, “Cadê o fundo?” e “Você tem que fazer isso logo, pq o que vai vir de dinheiro p o Brasil” foram algumas das mensagens enviadas. Em outro trecho, ela afirmou que o assunto “iria brilhar aos olhos de Lula”.
Naquele ano, Biden anunciou a intenção de mobilizar US$ 500 milhões para o Fundo Amazônia. O Congresso americano aprovou US$ 100 milhões, equivalentes a aproximadamente R$ 538 milhões à época, valor que, segundo as informações divulgadas, foi efetivamente repassado.
O episódio também envolve um contrato entre a Unigel e a Petrobras para o processamento de gás natural. De acordo com as informações apresentadas, a empresa foi beneficiada pelo acordo, que acabou anulado posteriormente por decisão do Tribunal de Contas da União (TCU). A Corte considerou o contrato prejudicial aos interesses da Petrobras.
É nesse contexto que as conversas sobre a criação da ONG e a indicação de Lulinha ganharam relevância. Conforme a reportagem, Luchsinger sugeriu a Slezynger estruturar um fundo para buscar recursos do Fundo Amazônia e incluir o filho do presidente na iniciativa. As informações divulgadas, porém, não estabelecem, por si só, que a indicação tenha resultado na obtenção de recursos ou que tenha havido irregularidade na atuação de Lulinha.
