O dólar comercial encerrou a sessão desta quinta-feira (29) em alta de 0,89%, cotado a R$ 5,387. Na contramão, o Ibovespa fechou em queda e ficou abaixo dos 170 mil pontos, pressionado pela combinação de incertezas no cenário político brasileiro e preocupações com a economia internacional.
No mercado financeiro, os investidores acompanharam decisões de política monetária nos Estados Unidos, indicadores de inflação e crescimento econômico, além das repercussões da reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e das incertezas sobre a composição da equipe econômica do próximo período de governo.
Decisão do Fed e indicadores dos EUA movimentam o mercado
Nos Estados Unidos, o Federal Reserve (Fed), banco central norte-americano, manteve a taxa básica de juros no intervalo entre 3,75% e 4% ao ano. A decisão foi dividida: dez integrantes votaram pela manutenção, enquanto dois defenderam um aumento de 0,25 ponto percentual.
Os investidores também repercutiram os dados do Produto Interno Bruto (PIB) norte-americano. A economia dos Estados Unidos apresentou crescimento acima das expectativas no terceiro trimestre, acelerando em relação ao avanço de 2,2% registrado no trimestre anterior.
Outro indicador que chamou a atenção foi o índice de preços de gastos com consumo (PCE), uma das principais referências utilizadas pelo Fed para acompanhar a inflação. Em setembro, o indicador acumulou alta de 3,6% em 12 meses, acima dos 3,4% registrados em agosto. Na comparação mensal, a elevação foi de 0,5%.
O núcleo do PCE, que exclui os preços mais voláteis de alimentos e energia, avançou 0,3% no mês, em linha com as estimativas do mercado.
Dólar oscila e Bolsa brasileira fecha no vermelho
No Brasil, o dólar chegou a oscilar entre R$ 5,343 e R$ 5,429 durante o pregão, antes de encerrar o dia a R$ 5,387. A valorização da moeda norte-americana refletiu o ambiente de maior cautela entre investidores.
O Ibovespa também sofreu pressão e terminou a sessão abaixo dos 170 mil pontos. Entre os fatores observados pelo mercado estão as incertezas sobre os próximos passos da política econômica e a repercussão das movimentações políticas após o resultado eleitoral.
Dívida pública e cenário político aumentam cautela
A situação fiscal brasileira também permaneceu no radar dos investidores. Dados do Banco Central apontaram que a dívida bruta do setor público chegou a R$ 11,1 trilhões, o equivalente a 82,9% do Produto Interno Bruto (PIB).
O resultado mantém as preocupações relacionadas ao equilíbrio das contas públicas e à capacidade do governo de controlar o crescimento do endividamento.
No cenário político, o mercado acompanha as definições sobre a futura equipe econômica e a possível composição do Ministério da Fazenda. Os desdobramentos envolvendo a viagem do senador Flávio Bolsonaro (PL) aos Estados Unidos também entraram no conjunto de acontecimentos políticos acompanhados pelos investidores.
A combinação de juros elevados nos Estados Unidos, inflação acima do esperado, preocupações fiscais e indefinições políticas contribuiu para um ambiente de maior aversão ao risco na sessão.
