O senador Flávio Bolsonaro (PL) ampliou sua intenção de voto entre os beneficiários do Bolsa Família na segunda semana do segundo turno da eleição presidencial, segundo pesquisa BTG/Nexus divulgada nesta segunda-feira (19). Nesse grupo, o candidato passou de 22,5% para 29,2% em uma semana, um avanço de 6,7 pontos percentuais. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), por sua vez, recuou de 67,7% para 66,4% no mesmo período.
No primeiro turno, Lula havia registrado 60,6% das intenções de voto entre os entrevistados beneficiários do programa social, enquanto Flávio somou 33,5%, de acordo com os dados citados no levantamento.
REAJUSTE DO BOLSA FAMÍLIA
Em 17 de setembro, a 17 dias do primeiro turno, o governo federal anunciou um reajuste de 15,04% no Bolsa Família. O valor mínimo por família passou de R$ 600 para R$ 691, enquanto o benefício médio estimado subiu de R$ 675 para R$ 777. Os novos valores começaram a ser pagos em outubro.
Segundo o governo, a atualização recompõe a inflação acumulada pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) entre março de 2023 e agosto de 2026. A medida alcança cerca de 19,3 milhões de famílias. O Ministério da Fazenda afirmou que o reajuste corresponde à reposição inflacionária, sem aumento real do benefício.
O anúncio ocorreu após o ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti, afirmar, no início de setembro, que não havia previsão de correção do benefício no projeto de Orçamento de 2027. A atualização foi anunciada antes da votação do primeiro turno, em um contexto de disputa eleitoral entre Lula e Flávio Bolsonaro.
LULA DIZ QUE NÃO SABIA DA AUSÊNCIA DE REAJUSTE
Em entrevista à TV Globo na quinta-feira (15), Lula comentou a falta de reajuste anterior do programa. “Eu não quero que você ouça a reunião que eu tive com os meus ministros quando fiquei sabendo que o Bolsa Família não tinha sido reajustado”, afirmou o presidente.
A jornalista Renata Lo Prete perguntou se Lula não sabia da ausência de correção. “Eu não sabia porque é inexplicável, Renata. É inexplicável”, respondeu o petista.
Os números da pesquisa mostram a variação das intenções de voto entre os entrevistados beneficiários do Bolsa Família, mas, isoladamente, não permitem concluir que o reajuste do benefício tenha causado mudanças nas preferências eleitorais.