Uma suposta ordem para prender o senador Flávio Bolsonaro (PL), atribuída ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), passou a circular nos bastidores políticos de Brasília após a eleição presidencial. Segundo relato divulgado pelo colunista Cláudio Humberto, do Diário do Poder, a determinação teria partido de Lula durante a comemoração da vitória eleitoral. Até o momento, porém, não foram apresentadas provas públicas que confirmem a alegação ou demonstrem que o presidente tenha ordenado a prisão do adversário.
O episódio ganhou repercussão em meio aos questionamentos sobre a rapidez das medidas judiciais adotadas contra Flávio após a derrota nas urnas. Segundo reportagem de O Globo, a Polícia Federal (PF) encaminhou ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), um pedido de apreensão dos passaportes do senador apenas sete minutos depois de o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) confirmar matematicamente a vitória de Lula.
A proximidade entre os acontecimentos alimentou suspeitas entre aliados do senador sobre uma possível articulação prévia. A sequência dos horários, contudo, não comprova, por si só, que tenha existido uma ordem política para prender Flávio ou que Lula tenha interferido na atuação da Polícia Federal.
Pedido da PF foi apresentado minutos após resultado eleitoral
De acordo com a reportagem de O Globo, o resultado da eleição foi confirmado matematicamente pelo TSE às 21h09 do domingo (25). Às 21h16, a representação da Polícia Federal solicitando medidas contra Flávio Bolsonaro já havia sido assinada digitalmente.
O documento, com 16 páginas, fundamentou o pedido em elementos relacionados a uma investigação que envolve suspeitas de movimentações financeiras e possíveis irregularidades com recursos no exterior. A representação também mencionou declarações públicas de Eduardo Bolsonaro sobre a possibilidade de o irmão deixar o Brasil caso fosse derrotado na eleição.
O ministro Alexandre de Moraes autorizou as medidas ainda naquela noite. A decisão determinou a apreensão dos passaportes e impôs restrições à saída do país, conforme as informações divulgadas pela imprensa.
A rapidez do procedimento passou a ser questionada por apoiadores de Flávio, que levantaram dúvidas sobre quando a representação foi preparada e se a iniciativa já estava organizada antes da confirmação do resultado eleitoral.
Apesar dos questionamentos, o intervalo de sete minutos se refere ao tempo entre a confirmação matemática da eleição e a assinatura do documento da PF. Esse dado, isoladamente, não permite concluir quando a representação começou a ser elaborada nem comprova que a medida tenha sido determinada pelo presidente da República.
Flávio deixou o Brasil e foi para os Estados Unidos
Após a derrota eleitoral e a determinação judicial relacionada aos passaportes, Flávio Bolsonaro viajou para os Estados Unidos com a família. O senador passou a contestar o resultado das urnas e divulgou uma carta na qual acusou o processo eleitoral de fraude, sem apresentar provas que sustentassem a alegação.
A Polícia Federal informou nesta quarta-feira (28) que investiga as circunstâncias do descumprimento das determinações judiciais. A corporação também esclareceu que o não cumprimento da ordem de entrega dos passaportes, por si só, não transforma o senador em foragido nem autoriza automaticamente sua prisão.
Flávio nega irregularidades e critica as medidas adotadas contra ele. A investigação em andamento não representa, por si só, comprovação de culpa.
Acusação contra Lula ainda não foi comprovada
A suposta ordem atribuída a Lula acrescenta um novo elemento à disputa política após a eleição, mas exige distinção entre as informações documentadas e as alegações que circulam nos bastidores.
Até o momento, não há comprovação pública de que o presidente tenha determinado a prisão de Flávio Bolsonaro. O fato documentado é que a Polícia Federal solicitou medidas cautelares e que Alexandre de Moraes as autorizou após a derrota eleitoral do senador.
Para confirmar a existência de uma ordem política, seriam necessários elementos independentes que demonstrassem a participação direta de Lula na iniciativa. Sem essa comprovação, a alegação deve ser tratada como uma suspeita ainda não confirmada.
O caso mantém em evidência os questionamentos sobre a cronologia das medidas judiciais, a atuação das instituições e a relação entre o governo, o Judiciário e a oposição após a eleição presidencial.
