O candidato à Presidência da República Augusto Cury (Avante) afirmou nesta sexta-feira (2) que o cancelamento do debate da TV Globo prejudicou sua campanha e disse que sua equipe avalia apresentar um mandado de segurança para pedir o adiamento das eleições em uma semana.
Cury desembarcou em Brasília no fim da manhã e foi ao Supremo Tribunal Federal (STF) para tentar uma reunião com o presidente da Corte, ministro Edson Fachin. Segundo o candidato, as recentes decisões do STF e do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) interferiram na liberdade de imprensa e prejudicaram a oportunidade de os candidatos apresentarem suas propostas aos eleitores.
O debate da Globo estava marcado para a noite de quinta-feira (1º), mas foi cancelado pela emissora após decisões judiciais alterarem as regras previamente estabelecidas. Entre as medidas, o TSE determinou que a emissora não exibisse o púlpito vazio destinado ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que havia desistido de participar. Posteriormente, o ministro Gilmar Mendes, do STF, determinou a inclusão do candidato Renan Santos (Missão) no encontro.
Cury afirmou que o cancelamento teve impacto direto sobre sua campanha. Segundo ele, uma pesquisa do Instituto Eurásia apontaria que apenas 40% dos eleitores sabem que ele é candidato. O presidenciável disse que o debate poderia ter sido uma oportunidade para ampliar seu conhecimento entre os eleitores antes da votação deste domingo (4).
“Isso é fundamental para que elas [as pessoas] pudessem decidir no dia 4 de outubro”, afirmou.
Ao comentar a possibilidade de pedir o adiamento da eleição, Cury disse que a medida ainda está sendo avaliada por sua equipe. Não há, até o momento, decisão judicial que tenha determinado a alteração da data da votação, que está prevista para este domingo.
O candidato também afirmou que pretende questionar a atuação do Judiciário no processo eleitoral. Em carta encaminhada a Fachin, Cury disse que as decisões recentes interferiram na liberdade de expressão e pediu que os Poderes mantenham uma relação de harmonia. Ele também afirmou que avalia recorrer à Corte Interamericana de Direitos Humanos.
Questionado sobre suas perspectivas na eleição, Cury reconheceu que faltam poucos dias para a votação, mas afirmou receber manifestações de apoio durante a campanha e defendeu seu projeto político.
Sobre um eventual segundo turno, o candidato voltou a dizer que não pretende declarar apoio nem a Flávio Bolsonaro (PL) nem ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
