Os 27 países da União Europeia suspenderão temporariamente, a partir desta quinta-feira (3/9), a importação de carne bovina, carne de aves, ovos e mel produzidos no Brasil. A duração da medida dependerá da regularização de cada cadeia produtiva.
A decisão ocorre após o Brasil ter sido retirado, em maio, da lista de países considerados em conformidade com as normas europeias que restringem o uso de antimicrobianos na produção animal.
As regras da União Europeia proíbem o uso de determinados antibióticos como estimulantes de crescimento ou para aumentar a produtividade dos animais. Também não é permitido utilizar em animais de criação medicamentos reservados à medicina humana.
A restrição faz parte da estratégia europeia de combate à resistência antimicrobiana, considerada uma ameaça à saúde pública mundial. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), infecções provocadas por bactérias e outros microrganismos resistentes a medicamentos provocam mais de 1 milhão de mortes por ano.
Aves e mel podem voltar primeiro
A Comissão Europeia mantém negociações com o governo brasileiro para adequar as cadeias produtivas às exigências sanitárias do bloco.
Uma auditoria internacional nas cadeias de aves e mel deve ser concluída nesta sexta-feira (4/9). Caso o resultado seja considerado satisfatório e receba aprovação dos países-membros, as exportações desses produtos poderão ser retomadas nas semanas seguintes.
A situação da carne bovina, porém, tende a exigir mais tempo. Segundo a Comissão Europeia, o processo de comprovação da conformidade varia de acordo com as características de produção e manejo de cada espécie.
Impacto para o agronegócio brasileiro
A suspensão atinge um mercado importante para o Brasil. Em 2025, o país exportou mais de 92 mil toneladas de carne bovina para a União Europeia, movimentando mais de € 713 milhões, o equivalente a aproximadamente R$ 4,3 bilhões.
A Comissão Europeia afirmou que o Brasil continua sendo um parceiro comercial relevante e que o diálogo com as autoridades brasileiras permanece aberto. A liberação dos produtos, entretanto, dependerá da comprovação de que cada cadeia produtiva atende integralmente às normas sanitárias europeias.
Medida ocorre em meio a negociações Mercosul-UE
O embargo também acontece em um momento sensível das relações comerciais entre os dois blocos, meses após a assinatura do acordo de livre comércio entre União Europeia e Mercosul.
O tratado enfrenta resistência de agricultores europeus e do governo francês, que defendem maior rigor na fiscalização dos padrões sanitários e ambientais dos produtos importados.
Por enquanto, a União Europeia não estabeleceu uma data definitiva para o fim das restrições. A retomada das exportações dependerá dos resultados das auditorias e das medidas adotadas pelo Brasil para demonstrar conformidade com as exigências do bloco.
Com informações de Metrópoles.
