O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), indicou a interlocutores que não deve participar da sessão da próxima terça-feira (15), quando a Corte analisará a abertura de investigação contra o ministro Alexandre de Moraes em razão de mensagens que expuseram sua relação com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master.
Toffoli sinalizou que pretende manter a posição adotada no início do ano, quando se declarou impedido de julgar processos relacionados ao Banco Master. A decisão ocorreu porque parentes do ministro fizeram negócios com Vorcaro envolvendo o resort Tayayá.
Com a possível ausência de Toffoli, o voto da ministra Cármen Lúcia passou a ser considerado, nos bastidores, decisivo para o resultado. O placar projetado por observadores aponta, atualmente, 4 votos a 3 pela abertura da investigação.
Estariam a favor da abertura os ministros Nunes Marques, Luiz Fux, André Mendonça e Edson Fachin. Contra seriam Flávio Dino, Cristiano Zanin e Gilmar Mendes. Cármen Lúcia poderia representar o quinto voto favorável ou o quarto contrário, levando o julgamento a um empate de 4 a 4 — cenário que beneficiaria Moraes.
O STF é composto por 11 ministros, mas há uma vaga aberta desde a aposentadoria de Luís Roberto Barroso. Como Moraes não participa da votação e Toffoli sinaliza que também ficará de fora, oito ministros devem estar aptos a votar.
Nos bastidores, Cármen Lúcia é considerada um voto ainda indefinido. A ministra mantém relação próxima com Moraes e o acompanhou durante o processo relacionado à chamada trama golpista. Ao mesmo tempo, é apontada como reservada em relação a André Mendonça, com quem não possui proximidade.
Por outro lado, Cármen também é considerada sensível à repercussão pública dos julgamentos. Entidades empresariais e representantes da sociedade civil vêm ampliando a pressão contra Moraes, segundo avaliações citadas nos bastidores.
Interlocutores do grupo alinhado a Moraes avaliam ainda a possibilidade de um pedido de vista caso Cármen Lúcia se posicione pela abertura da investigação. A medida poderia interromper o julgamento e adiar a definição do STF sobre o caso.
Com informações de CNN Brasil.
