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Início Justiça

STF terá clima de final de Copa nesta terça em sessão que pode abrir caminho para investigação de Moraes

Por Junior Melo
14/set/2026
Em Justiça
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Plenário deve viver um dos momentos mais tensos de sua história recente, com Alexandre de Moraes e André Mendonça no centro de uma crise que expôs divisões dentro da Corte

O Brasil terá os olhos voltados para o Supremo Tribunal Federal nesta terça-feira (15). A partir das 10h, o plenário da Corte se reúne em sessão extraordinária para discutir o caso envolvendo mensagens e informações encontradas no material extraído do celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, que alcançaram o ministro Alexandre de Moraes.

A expectativa em Brasília é de uma sessão com clima de final de Copa do Mundo. O julgamento será público e transmitido ao vivo pela TV Justiça e pelos canais oficiais da Corte, permitindo que milhões de brasileiros acompanhem aquele que pode se transformar em um dos embates mais importantes da história recente do Supremo.

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No centro da arena estarão Alexandre de Moraes e André Mendonça.

Foi a partir de providências determinadas por Mendonça que a Polícia Federal aprofundou a análise dos dados extraídos do celular de Vorcaro. O relatório resultante trouxe registros envolvendo Moraes e desencadeou uma crise sem precedentes dentro do STF.

O plenário terá de decidir questões fundamentais: se a ordem que levou à produção do relatório foi regular, se as informações obtidas pela Polícia Federal são válidas e, principalmente, qual destino deve ser dado aos elementos relacionados a Alexandre de Moraes. Dependendo da decisão, o material poderá abrir caminho para uma investigação contra o ministro. A Procuradoria-Geral da República, por outro lado, sustenta a nulidade do procedimento.

Uma Corte dividida

Nos bastidores, a temperatura é altíssima.

A crise colocou André Mendonça e Alexandre de Moraes em campos frontalmente opostos e acabou envolvendo outros integrantes da Corte. Gilmar Mendes chegou a defender o adiamento da sessão e a análise conjunta das controvérsias envolvendo Moraes e Mendonça, proposta que não prevaleceu para esta terça-feira.

Edson Fachin manteve a análise do caso Moraes para o dia 15 e assumiu a relatoria da Petição 16.662.

O resultado é um cenário raríssimo: ministros do próprio Supremo terão de deliberar sobre elementos que atingem diretamente um integrante da Corte.

Para setores mais críticos à atuação de Moraes, a sessão já vem sendo retratada nas redes sociais em termos quase épicos, inclusive como uma suposta “luta do bem contra o mal”. Essa, porém, é uma interpretação política dos grupos envolvidos — e não uma descrição jurídica do julgamento.

Arena montada

A expectativa é de enorme atenção da imprensa, do meio político e jurídico. A sessão ocorre depois de uma sequência de decisões e acusações que escancararam divergências internas no Supremo.

O próprio rito ainda é motivo de controvérsia. Existe a possibilidade de discussões preliminares sobre a validade das provas e até de movimentos capazes de adiar uma decisão definitiva.

Mas uma coisa parece certa: dificilmente será uma terça-feira comum no STF.

Será uma espécie de arena institucional, com cada voto acompanhado quase como um pênalti em final de campeonato. De um lado, estará a tese de que os elementos encontrados precisam ser devidamente esclarecidos e, se houver fundamento jurídico, investigados. Do outro, a posição de que a forma como essas informações foram produzidas pode ter violado regras processuais e competências internas do Supremo.

No centro de tudo estará Alexandre de Moraes.

E André Mendonça, responsável pelas decisões que fizeram o material chegar ao centro do debate, será personagem inevitável do confronto institucional.

Às 10h desta terça-feira, as câmeras estarão ligadas, o plenário estará sob atenção máxima e o país acompanhará uma pergunta que pode definir os próximos capítulos da maior crise recente do Supremo:

Alexandre de Moraes poderá ser formalmente investigado a partir dos elementos encontrados no caso Vorcaro?

A resposta começará a ser construída diante de todo o Brasil.

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