O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) informou, na última quinta-feira (17), que um mandado de prisão contra Alex Leandro Bispo dos Santos, conhecido como “Escorpião do PCC”, foi alterado ilegalmente no Banco Nacional de Medidas Penais e Prisões (BNMP).
Segundo o Ministério Público de São Paulo (MPSP), a alteração teria sido realizada por meio de credenciais vinculadas a uma juíza do Rio Grande do Sul. A principal suspeita é de que um hacker tenha conseguido acessar o sistema e utilizado os dados da magistrada.
Segundo matéria publicada pelo site Metrópoles nesta terça-feira (22), o nome e o CPF de Alex foram modificados no sistema, fazendo com que ele deixasse de aparecer como procurado quando seu nome era consultado por agentes de segurança pública.
Alex é investigado por feminicídio contra a ex-companheira, Mariana Katiane Gomes da Silva. O caso ocorreu em 29 de novembro do ano passado. De acordo com a investigação, ele teria agredido e jogado a vítima da janela do apartamento onde os dois moravam, na zona sul de São Paulo.
O MPSP pede a condenação de Alex pelo crime e uma indenização mínima de R$ 500 mil à família da vítima. A defesa afirma que ele é inocente e sustenta que Mariana teria cometido suicídio.
Suspeita de ligação com o PCC
Além da investigação por feminicídio, Alex é apontado como integrante do Primeiro Comando da Capital (PCC).
Segundo o processo, ao qual o Metrópoles teve acesso, Alex teria se apresentado como “Escorpião do PCC” e afirmado possuir “irmãos” envolvidos com o crime.
Em áudios apresentados no inquérito policial, ele teria dito: “Tenho escorpião do PCC, não devo satisfação”. Durante o interrogatório, porém, Alex negou envolvimento com o crime organizado.
No início de agosto deste ano, o juiz responsável pelo caso concedeu liberdade provisória e Alex foi solto. O MPSP recorreu e pediu novamente a prisão do acusado. Ele, no entanto, não se apresentou às autoridades e continua sendo procurado.
De acordo com os autos, a fraude no sistema teria ocorrido em 23 de agosto, utilizando login e senha vinculados a uma juíza de Planalto, no Rio Grande do Sul.
Relação com filme sobre Bolsonaro
Alex também teria relação com a produtora do filme “Dark Horse”, sobre a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Segundo o texto, Alex recebeu R$ 12 milhões da produtora executiva do filme, Karina Pereira da Gama, presidente do Instituto Conhecer Brasil (ICB).
O dinheiro teria como origem um contrato firmado pela Prefeitura de São Paulo para a instalação e manutenção de Wi-Fi gratuito em comunidades.
O Metrópoles procurou o advogado responsável pelo caso, mas não recebeu resposta até a publicação. O espaço permanece aberto para manifestações e atualizações.
